quarta-feira, 27 de julho de 2016

A Incrível Jornada de Jacqueline | CRÍTICA


A Incrível Jornada de Jacqueline é o segundo filme do diretor francês Mohamed Hamidi, onde roteiriza e dirige essa comédia francesa, que conta a história de Fatah (Fatsah Bouyahmed, o melhor do filme), um fazendeiro argelino cujo maior sonho é fazer com que Jacqueline, sua vaca, participe de uma feira de agricultura que ocorre em Paris. Sob um clássico chamado da aventura, Fatah estará prestes a realizar sua maior ambição contando com o apoio dos outros habitantes do vilarejo e,  nesta longa rota que se fará até mesmo a pé, muitas coisas e pessoas cruzarão seus caminhos.

Ao lado de Fatah, seu cunhado Hassan (um forçado Jamel Debbouze, de O Fabuloso Destino de Amélie Poulain) e o milionário Philippe (Lambert Wilson, conhecido da trilogia Matrix) dão apoio a ele durante sua viagem. Em sua primeira aparição, Hassan não liga para Fatah, não deixando nem ele pousar uma noite em sua casa após ter chegado da Argélia, e então, no terceiro ato ele volta para ajudar Fatah e tem sua “redenção”, que podia ter sido trabalhada melhor. Philippe é o que mais ajuda Fatah devido a alegria do protagonista, fazendo contra-partida ao francês que tem depressão, sendo um ponto interessante que serve de crítica, onde é dito que Fatah segue seus sonhos e que os franceses não fazem isso, justificando a depressão no país.


Fatah é um protagonista carismático que, ao lado da sua vaca, consegue levar o filme até o fim. No começo, exploram um pouco sua relação com suas filhas, mas é algo de uma cena apenas. O problema maior é a sua relação com sua mulher, onde passam por diversos problemas enquanto Fatah está na França. A situação com sua mulher dá a Fatah o motivo de terminar sua jornada, mas acaba criando um leve drama que não funciona, ainda mais levando em conta a cena onde todos estão apoiando Fatah, e ele simplesmente quer desistir e aparece andando na rua com sua vaca indo em direção oposta a feira de agricultura, deixando você sem entender direito o porque disso, mas logo tudo é resolvido em 30 segundos e ele vai para a feira, isso é uma cena desnecessária que poderia ter saído no corte final.

A comédia marca presença em vários momentos de maneira leve e sutil, aproveitando-se da inexperiência de Fatah em relação ao mundo (assim como Borat chegando na América, porém, sem aquela apelação exagerada). Os momentos cômicos funcionam e agradam algumas vezes (nem todos farão você rir), porque lá pelo final do segundo ato o filme fica repetitivo, assim como algumas piadas, como a brincadeira com o nome Mohamed (como dito em Superbad, é o nome mais comum do mundo), onde mais de um personagem tem esse nome, e quando um deles é chamado, muitos olham. Se a gag funciona na primeira vez, suas repetições acabam perdendo a graça.


A Incrível Jornada de Jacqueline (La Vache), é uma boa produção, longe de ser uma das melhores francesas já feitas, não sendo o melhor pedido para iniciar com o cinema francês (indico muito mais Os Intocáveis ou Amélie mesmo); uma comédia leve que tenta agradar, mas consegue muito pouco, deixando impressões de momentos arrastados e um drama pouco funcional à trama. O filme podia ter abordado mais alguns assuntos sociais, como o fato de torcerem pelo imigrante, mesmo com os ocorridos na França em relação ao terrorismo e a xenofobia são deixados de lado, deixando uma bela crítica social de lado. O que fica no final, é que tudo se resolve para Fatah, parecendo que ele não aprendeu com sua jornada e que seus problemas foram facilmente resolvidos.




Nenhum comentário:

Postar um comentário