quinta-feira, 12 de fevereiro de 2015

Corações de Ferro | CRÍTICA


Ao ver Corações de Ferro (Fury), fica uma vaga sensação de que todo aquele ambiente e personagens já foram vistos anteriormente em outras obras. Isso não seria verdade se o diretor e roteirista David Ayer não se apegasse tanto a arquétipos, pouco trazendo de inédito a mais uma história na Segunda Guerra Mundial.


Felizmente, diferente de seus contemporâneos Invencível e Jogo da Imitação, o longa  (que não é biográfico!) remonta ao período final da guerra, com uma Alemanha ainda resistente perante o poder bélico norte-americano, mas que não se intimida em enforcar pessoas no meio das estradas ou de utilizar crianças em combate. 

No comando do tanque de guerra Fury, está 'Wardaddy' (Brad Pitt), o mentor carismático que recruta a contra-gosto o novato (e datilógrafo) Norman (Logan Lerman), que não queria estar ali. O restante da equipe, então, é formado por estereótipos de soldados vistos em outros títulos do gênero: o latino 'Gordo' (Michael Peña), o grosseiro 'Coon-Ass' (Jon Bernthal) e o mais acatado, buscando a redenção, 'Bíblia' (Shia LaBeouf). Juntos, eles atravessam cidade e campo, travam combates acirrados, enfrentam baixas e tratam de fazer Norman um verdadeiro homem sob um intenso batismo de fogo, que só tende a piorar.



Se há elementos chamativos em Corações de Ferro, vale a pena destacar os angustiantes e devastados cenários, demarcados também por um clima úmido e sempre nublado, bem ressaltados na fotografia. No entanto, o que mais causa estranheza, talvez, sejam os bullet tracers, feixes coloridos com a finalidade de se diferenciar dos tiros inimigos. Se parece um pouco com Star Wars, a princípio, logo isso conta a favor do filme. As atuações de LaBeouf e Lerman também são dignas e não se ofuscam diante da forte presença de Pitt. Ambos os atores conseguem fornecer profundidade aos seus personagens e um companheirismo que vem à tona no combate noturno. 



Pecando ao apresentar algumas cenas que se estendem por demais e ainda são pouco informativas, Corações de Ferro, contudo, se mostra desinteressante ao forçar frases de efeito e por estar tão calcado na Jornada do Herói, tudo apenas para consagrar a ascensão de um personagem e tentar mostrar que ali havia também um ponto de vista do detonado tanque de guerra.


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