quarta-feira, 14 de janeiro de 2015

Livre | CRÍTICA


Depois do sucesso com Clube de Compras Dallas, garantindo Oscars de melhor atuação para Matthew McConaughey e Jared Leto, parece que o diretor Jean-Marc Vallée se tornou mais um dos diretores de Hollywood que alçam seus atores com personagens envolvendo transformações psico-físicas. Não por menos, até agora Reese Witherspoon foi indicada ao prêmio de Melhor Atriz na categoria Drama no Globo de Ouro, contudo, sua personagem não é a força principal no road movie existencialista Livre (Wild).



Novamente buscando uma história com personagens reais, Vallée desta vez apresenta a “peregrinação” de Cheryl Strayed (Witherspoon) durante os mais de mil quilômetros da Pacific Crest Trail – tudo em busca da superação do passado. No meio do pedregoso caminho, Cheryl se depara com as adversidades da natureza, excesso de peso da mochila, a ameaça de homens desconhecidos, a vontade de desistir e as constantes lembranças da família.

Se toda a atmosfera construída, seja pelo poder da natureza evocado na fotografia de Yves Bélanger ou pela trilha musical repleta de canções nostálgicas (destaque para 'El Condor Pasa', de Simon & Garfunkel), falta a Livre fornecer uma autonomia maior para sua protagonista além de todos os desafios já apresentados durante a narrativa. Os editores criam uma linha do tempo remontando ao passado de Cheryl, com imagens igualmente bonitas e senão o cerne de toda a carga emocional do filme – o relacionamento da moça com sua mãe, Bobbi, interpretada por Laura Dern (uma possível indicação a Atriz Coadjuvante?).


Os acontecimentos do passado de Cheryl, contados de forma gradual, em alguns pontos começam a cansar e tornar a experiência distraída, mas não impede que o esforço físico de Reese seja ofuscado, entregando-se até mesmo nas cenas onde aparece nua. Embora passe uma sensação de vazio, Livre também fornece a ideia de que o passado pode ser uma fonte de força para superá-lo.




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