terça-feira, 11 de agosto de 2015

A Dama Dourada | CRÍTICA


Enquanto a Segunda Guerra Mundial fornecer relatos e histórias ainda inéditas para rechear livros e, consequentemente, roteiros, mais as telas dos cinemas serão pinceladas de imagens reconstituídas daquele período funesto. Todavia, A Dama Dourada (Woman In Gold) não vai pro front de batalha; pelo contrário, trata de contar um período pré-guerra, quando uma rica família austríaca (e judia) detinha uma seleção de obras de um renomado pintor, isso até serem tomadas pelos nazistas. Parece e é um drama sobre pessoas que perderam tudo, encontrando na América a chance de ter uma nova vida, mas é aí que nos lembramos do foco principal: a história verídica de uma senhora persistente e seu advogado (pouco experiente) numa sucessão de batalhas jurídicas para restituir um dos quadros mais importantes da Áustria.

Viúva e (aparentemente) sem mais parentes vivos, a emigrante austríaca Maria Altmann (Helen Mirren, carismática) tem uma vida modesta na Califórnia, tendo convivido muito com a família do jovem advogado Randol Schoenberg (Ryan Reynolds), filho de juiz e neto do renomado compositor de mesmo sobrenome, também emigrante. Ou seja, Randy precisa ser tão importante quanto seus ascendentes e agora tem uma família para sustentar. A oportunidade surge quando, em 1998, Maria toma conhecimento de que o governo da Áustria abriu um projeto de restituição de obras de artes pertencentes às famílias judias roubadas pelos alemães e, lembrando de seu maior elo afetivo, a senhora Altmann quer nada mais, nada menos, que um dos cartões-postais do país: a pintura folheada a ouro, Retrato de Adele Bloch-Bauer ou A Dama Dourada (como veio a ser nomeada posteriormente), do simbolista Gustav Klimt.


Temendo ter em mãos uma trama simplória, o diretor Simon Curtis e seu novato roteirista Alexi Kaye Campbell procuram dar ênfase nos flashbacks trazendo uma caprichada reencenação histórica, o que favorece e muito a motivação da protagonista que revisita seu país natal depois de sessenta anos, as boas (e más) lembranças vindo à tona. No entanto, faltam mais informações e motivações (além das já citadas) para os personagens de Reynolds e de Katie Holmes, sobretudo do competente Daniel Brühl, que tem pouco a dizer. Para agravar, a longa duração dessas cenas do passado provoca o cansaço sobre a narrativa principal, visto que a burocracia de cada processo retratado realmente mingua as energias da dupla que, pouco a pouco, vai se tornando mais amiga. Pra quem diz que enrolação judicial só acontece no Brasil, as artimanhas dos austríacos são tantas que esse cabo de guerra sai caro e leva muito mais tempo do que o previsto.


Considerando ser uma produção da BBC Films, o caminho aqui é praticamente suave, se não didático, e Curtis tem o cuidado de fazer com que seja uma experiência simpática, lembrando e muito um outro "filme de busca" da casa, Philomena. Mas, diferente da senhorinha interpretada por Judi Dench, a Maria de Mirren é incansável e não se contenta com a derrota. Altmann pode ter parecido muito egoísta à primeira vista, considerando suas intenções pressupostas, mas ali a restituição é justa e o valor emocional fala muito mais alto.




Nenhum comentário:

Postar um comentário