domingo, 1 de fevereiro de 2015

A Teoria de Tudo | CRÍTICA


Ao conhecer brevemente o trabalho do Prof. Stephen Hawking com A Teoria de Tudo (The Theory Of Everything) e previamente com as várias insinuações (e imitações) em The Big Bang Theory, existe a sensação de que as aulas de Física no colégio não eram nada instigantes para algo que pode despertar o interesse de qualquer um, com explicações concisas e nem sempre com enxurradas de fórmulas. Por sorte, as teorias científicas apresentadas no filme não são difíceis de compreender, mas o foco não é exatamente o universo.

A questão principal aqui é o relacionamento entre Hawking (Eddie Redmayne) e Jane Wilde (Felicity Jones) durante suas três décadas de convivência, passando por bons e maus momentos, em especial Stephen e a doença do neurônio motor, privando-o de seus movimentos, mas não de progredir na sua vida acadêmica - e na própria vida pessoal, já que era previsto que vivesse até dois anos depois do seu diagnóstico.



A primeira parte de A Teoria de Tudo é bastante carismática, beirando a um A Culpa é das Estrelas. O espírito jovem dos anos 1960 constante e um envolvimento entre o elenco tão amistoso que é fácil criar empatia com os personagens. E de quebra, tem David Thewlis interpretando um professor que acredita no potencial de seu aluno, estando presente até nas defesas de suas teses, já afetado pela doença. Se o sorriso de Redmayne já era contagioso nos minutos iniciais do filme, seu esforço para representar as dificuldades de Stephen, tanto físicas como verbais, são bastante admiráveis.

À medida em que passamos a acompanhar um pouco mais do cotidiano da família Hawking crescendo, por outro lado, acompanhamos o esforço e paciência (não infinitos) de Jane diante das responsabilidades de cuidar da casa, filhos e o marido cada vez mais impossibilitado. Nisso, o diretor James Marsh acerta ao mostrar Jane tentando se concentrar em seu antigo projeto de pesquisa em Literatura enquanto as crianças e o próprio Stephen fazem a maior bagunça. Quando o casal aceita o auxílio de Jonathan (Charlie Cox), viúvo e regente do coral da igreja de Jane, é que ela passa a ficar mais habilitada para si, mas a narrativa consequentemente sofre o maior declínio. 



Acontece que a história vai adotando um tom desinteressante ao estilo de Dom Casmurro, com um triângulo amoroso que não quer se assumir, além de uma possível polêmica sobre filho gerado fora do casamento. A crise agrava-se muito mais quando outra fatalidade acontece com Stephen e a condução do filme, reforçada pela sua montagem, parece sugerir que a culpa é, senão, da sufocada Jane.

Pouco interessado em contar os acontecimentos restantes e de gravar a ação do tempo nos rostos do casal, o título guarda ainda uma atuação bem comovente da dupla de protagonistas, além da palestra do Prof. Hawking com seu momento quase surreal, mas A Teoria de Tudo, que começou tão bem, passa uma fria sensação de que seu roteiro poderia contemplar não só a persistência de um casal, mas sim a beleza de todo o universo, que parece ser a maior paixão do cientista.






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