sexta-feira, 22 de janeiro de 2016

Joy: O Nome do Sucesso | CRÍTICA


Joy Mangano é uma mulher a frente do seu tempo, muito embora para nós, brasileiros, o nome só venha ao caso agora com a estreia de Joy: O Nome do Sucesso. Se o nome não lhe é familiar, é possível que sua casa tenha (ou já teve) alguns dos diversos produtos patenteados pela empresária estadunidense que, desde a década de 1990, se lançou no ramo das televendas e assim fez sua fortuna a custo de muito esforço e sacrifícios. O filme de origem dirigido por David O. Russel torna a jornada de Mangano mais deprimente do que deveria ser um modelo de completa inspiração.


Separada, mãe de dois filhos e com uma família praticamente dependente, esse é o dia-a-dia quase infernal de Joy (Jennifer Lawrence), muitos anos antes de alcançar seu sucesso com o "Miracle Mop" ou, simplesmente, "esfregão". Na infância, Joy era uma menina com uma imaginação pra lá de fértil: criava seus próprios brinquedos a partir de papel e, nas suas historinhas, dispensava príncipes. Com o passar do tempo, sua avó lhe instruiu para ser uma dona de casa tradicional, daquelas que devem arranjar um marido rico e assim procriar, mas a vida não foi exatamente assim. Forçada a abandonar sua faculdade para amparar a mãe noveleira cujo marido a trocou por outra (a arte imita a vida e vice-versa), Joy logo viria a conhecer seu futuro marido, o imigrante e músico venezuelano Tony (Édgar Ramirez) e o restante dessa primeira parte já é sabido. O que é curioso, porém, é a facilidade de Mangano em ajeitar os afazeres domésticos, mas a jovem mulher, que tanto queria ser independente na vida, só consegue ser empurrada pra baixo por seus familiares e se torna ainda mais submissa diante do roteiro de O. Russel.

Considerando que Joy deveria ser uma história de superação, rompendo com os diversos preconceitos e assim estimular principalmente as mulheres a venderem suas ideias (não só de traquitanas domésticas), David O. Russel falha miseravelmente nessa abordagem, embora consiga apresentar uma cena divertida de composição interessante (Joy tentando vender seu esfregão ilegalmente no estacionamento de um supermercado) e o breve circuito apresentando os bastidores do canal de televendas. Mas a todo o momento, o diretor sente a necessidade de apontar que está sendo autoral, vide pelo arbitrário bom gosto de músicas que embalam o filme ou pelas cenas em que tenta emplacar Jennifer Lawrence como uma atriz que pode tudo. A falsa autoria do diretor, que já estava extrapolando na cena em que Joy pratica tiro no terreno ao lado da oficina do pai, se agrava ainda mais quando a personagem decide cortar o cabelo e se dirige a um hotel a fim de tratar de negócios, com uma pose toda Sarah Connor, mas o que se vê na cena, a resolução do problema apresentado minutos antes numa passagem completamente deprimente, dá a impressão de que a elipse da montagem não foi das mais eficientes. 



Por mais que Jennifer Lawrence compreenda a importância do seu papel e fique evidente que a moça não tem aparência/idade fiel requisitada, ela tenta mostrar que é mais do que a heroína dos filmes infanto-juvenis – a cena em que Joy vai anunciar seu esfregão pela primeira vez na TV ilustra a situação da atriz na produção: alguém que não é necessariamente a pessoa ideal para o trabalho, mas que está ali para (tentar) se sair bem. O mesmo não pode ser dito do seu elenco de apoio, que deixa a desejar, mesmo tendo grandes nomes como Isabella Rossellini e Robert De Niro, diminuídos a fazerem as figuras de familiares que só sabem criticar ao invés de apoiar o talento de forma integral (assim visto em muitos lares)

O dramalhão mambembe das novelas americanas por qual O. Russel parece tão obcecado e tenta emular do início ao fim de seu filme, querendo trazer um ar "diferentão" para o cinema, acaba frustrando o espectador que recorre ao meio para, justamente, fugir da mesmice apelativa dos folhetins televisivos. E, se justamente as funções de uma novela são emocionar e prender a quem assiste, Joy é difícil de aguentar até o final.




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