terça-feira, 13 de julho de 2021

Uma escolha que já não era difícil …ou como o Plano Extra ganhou uma sobrevida

No início de 2020, eu me vi apto a começar uma nova fase da minha vida. 

Comecei março encerrando uma breve era como Professor Substituto no Instituto Federal do Paraná e, de prontidão, arregacei as mangas para finalizar um projeto de documentário cujo edital terminaria naquela primeira semana. 


Eu estava confiante o suficiente de que minha carreira de cineasta, enfim, tomaria os primeiros e definitivos passos me empreendendo numa jornada ininterrupta de realizações. Sem mais produções de alunos para orientar, eu estava decidido a também encerrar meu ciclo como crítico, já que acompanhar e escrever sobre lançamentos de terceiros sempre foi uma corrente pesada no meu tornozelo. 


Eu estava pronto para encerrar a minha parte no Plano Extra.


Isso tudo, diga-se de passagem, há 2 semanas antes de sermos impactados pelos primeiros casos da COVID-19 no Brasil.

Entre sonhos adiados, eu não vi outra alternativa, senão, a continuar escrevendo críticas enquanto surgiram alguns poucos trabalhos audiovisuais a fazer. Desta vez, porém, com um diferencial: entrei em contato com a coordenação do Bacharelado em Cinema e Audiovisual da UNESPAR para conferir se havia interessados em escrever sobre filmes em troca de um certificado de horas complementares (o que sempre foi um encalço na hora de se formar). Sem lançamentos nas telonas, voltamo-nos a títulos consagrados, o que rendeu uma série de textos competentes pela nova equipe que, infelizmente, se desintegrou tal como nas outras vezes com outros colaboradores.

Na resistência de tocar as coisas dentro do possível, cedi a sugestão de alguns a começar a fazer críticas de filmes e séries em vídeo até porque, no olhar desses palpites, o YouTube me daria mais visualizações. Comparando estatísticas entre os posts daqui e os vídeos, não hesito em dizer que o esforço não compensou. Investi uma grana para promover os links a partir da página do Plano Extra no Facebook, mas acabou que essa rede mais sugou o orçamento do que conferiu acessos legítimos.

Aliás, o Facebook está ruim pra tudo e o YouTube não está longe disso. Para conceder um mínimo de relevância pro conteúdo, é preciso fazer o espectador realizar todas as chamadas CTAs (call to actions), não só tendo que gostar do vídeo, como se inscrever, ativar notificações, comentar, favoritar e também compartilhar o que acabou de assistir, além do fato de eu ter que manter uma narrativa e uma edição atrativas para que o usuário fique retido pela maior parte do tempo. É um saco! 

O que é pior: o YouTube nem sequer facilita o cumprimento fácil das CTAs tal como o TikTok já deixa tudo a dispor – ainda que, invejosos, lançaram a seção Shorts para vídeos curtos, mas ainda aplicando os algoritmos carrascos que só miram os holofotes pra quem já é grande/conta verificada ou para canais que, ironicamente, vivem postando conteúdos fraudulentos e sem as devidas permissões de terceiros.


Enfim, não nego que fazer "vídeo-críticas" passou a ser até mais rápido para a minha exposição de ideias, mas os números me desanimaram por ora… fora a tarefa hercúlea de alcançar 4 MIL horas de conteúdos vistos pelo público para, daí, o Google cogitar a monetização.


O fim do Plano Extra… ao menos, como o conhecíamos


Estando a um mês de pagar a renovação do domínio do site, aliado a pressão de entregar um artigo no mestrado e preocupado por ter perdido o contrato de uma cliente que estava segurando minhas despesas, eu passei a ter crises de ansiedade terríveis. Entre cortes de gastos, pensei: por que não acabar o Plano Extra de vez?  Para quem esteve a par da nossa campanha no Catarse, todos os motivos foram suficientemente explicados, mas é oficial que elogios e sugestões nunca vão pagar contas.

Apesar de eu ter orçado um valor "enorme" para a campanha (todavia, muito que sonhando alto a fim de fomentar o Plano Extra como uma micro-empresa de produção de conteúdo), eu jamais esperava que a arrecadação ultrapassasse os 10% do número total. A renovação anual do domínio foi garantida!

É uma vitória e tanto para algo que eu já considerava uma causa perdida. Compreendo que não era um bom momento para pedir doações para um serviço que sequer era essencial e que já tinha outros tantos portais que, indubitavelmente, fazem bem melhor do que eu. Ainda assim, quem apoiou a campanha  me fez entender que toda a produção concentrada neste blog aqui e nas redes não merecia a sua devida exclusão; é preciso haver a difusão de cultura em tempos difíceis, por menor que seja o alcance. Portanto, fica aqui o meu humilde agradecimento a:

Bora Grupo Produções, jornal O Expresso, o núcleo de trabalho Fabrika Desenvolvimento Criativo; Alessandra Gatto Costa, Amalia Valle, Arianne Cordeiro, Gilmar Banzato, Guilherme Jerônimo, Helck Souza, Jann Lima, João Pedro Bueno, Johny Amaral, Luiz Damilton, Michel Bezerra, Patricia Carvalho, Pedro Henrique Pereira, Rita Vaz e Talita Bino.


A partir de então, a intenção é que o Plano Extra passe por reformulações. O serviço de newsletters prometido como recompensa está em fase de desenvolvimento e já deve ter sua edição-teste lançada exclusivamente aos apoiadores até o final de julho… ou antes. Particularmente, quero que o portal seja redescoberto sem a dependência de se ater a essas redes sociais tão vis. Então, talvez, esse contato próximo e quinzenal por e-mail seja um bom começo para nos conectarmos.
 
A produção de críticas continuará, ainda que sem a mesma periodicidade de antes (ou até que tenhamos capital de giro para remunerarmos colaboradores como se deve). O circuito comercial de cinema no país está apresentando uma corajosa e significante retomada, o que pode significar que poderemos contar novamente com as parcerias das distribuidoras no futuro próximo.

No mais, é real que eu não pretendia me estender tanto aqui, mas tomei este momento como um desabafo, para me colocar escrevendo e direcionar pensamentos logo quando me sinto tão improdutivo.

Por último, compartilho de uma vontade que tenho há tempos e que vocês podem se sentir à vontade para responder pela caixa de comentários: 

O que pensam de uma série de e-books compilando e revisitando as minhas críticas favoritas (ou de assuntos específicos) que produzi no Plano Extra?

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