quinta-feira, 7 de junho de 2018

Oito Mulheres e Um Segredo | CRÍTICA


Fácil é dizer que Oito Mulheres e Um Segredo surpreende por ser uma deliciosa comédia de assalto com aqueles planos pra lá de inteligentes que não devem em nada para aqueles dos grandes títulos do gênero e se faz bem menos intrincada do que a trilogia dirigida por Steven Soderbergh (que agora atua como produtor) e estrelando um grande elenco capitaneado por George Clooney na década passada. Com um dream team que dispensa longas apresentações, difícil mesmo é decidir qual das competentes atrizes mais rouba as cenas com tamanha elegância, sagacidade e com um divertimento que se faz ininterrupto até o final da projeção.

Dirigido por Gary Ross (Jogos Vorazes) e co-roteirizado por Olivia Milch, Oito Mulheres e Um Segredo introduz Sandra Bullock como Debbie Ocean que, assim como irmão Danny (e excetuando uma tia, conta ela), sempre esteve propensa para o crime. Saindo da prisão após cinco anos e alguns meses de detenção, Debbie não consegue resistir a tentação e já planeja um golpe dos grandes – mas nada de assaltos a bancos. Sem tardar a contatar Lou (Cate Blanchett), sua amiga e parceria de crime, Debbie está de olho em um milionário colar de diamantes da Cartier trancafiado há décadas e que conta com o que há de mais avançado em segurança; mas para a equipe formada pela dupla de golpistas, nada é impossível.

Warner Bros. Pictures/Divulgação)

Sem apelar para um tipo de humor que tende a incomodar o público conservador, é prazeroso atestar que a narrativa trabalha o golpe das beldades de forma bastante dinâmica que se reflete na operação de câmera e, se a tendência de ter um grande número de personagens pode comprometer a profundidade destas (o que não é de todo o mal aqui), as habilidades de cada uma das mulheres surgem ilustres em suas progressões no plano e provam que os agentes dos mais importantes serviços secretos do mundo precisam rever seus conceitos. Com bons improvisos evidentes, o entrosamento entre Bullock e Blanchett é complementado com a irreverência de Helena Bonham Carter vivendo uma decadente estilista de moda; Sarah Paulson não pensa duas vezes em sair da rotina de mãe para cometer o elegante delito; Rihanna demora a dizer a que veio, ainda que não se comprometa em ser a melhor hacker "diferentona"; Mindy Kaling e Awkwafina surpreendem por serem engraçadíssimas dentro do que se pede além de suas etnias.

Enquanto Richard Armitage não faz vexame como o interesse "romântico" e James Corden não se intimida com as musas e interpreta um astuto detetive, quem por vezes acaba vencendo nesse jogo de "roubar cenas" é Anne Hathaway, esbanjando sensualidade com corpo e voz ao passo em que sua grã-fina Daphne Kluger não foi feita para ser subestimada, lançando duas e boas tiradas metalinguísticas.

Warner Bros. Pictures/Divulgação)

Embora, no final das contas, o roteiro não fuja à regra do gênero tendo conflitos e pontos de viradas previsíveis e ao elencar os mesmos tipos senão encarnados pelo sexo feminino, Oito Mulheres e Um Segredo (Ocean's Eight) acerta por ser um filme de roubo que dispensa subtramas e demais elementos que só retardariam suas passagens cômicas e de ação. Até porque, a partir do genial delito de Debbie na loja de cosméticos (que é capaz de revisar as políticas de troca por aí), tornamo-nos cúmplices dessas musas que, da minha parte, já podem pensar em agregar outra habilidosa integrante ao time.



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