terça-feira, 19 de junho de 2018

Jurassic World: Reino Ameaçado | CRÍTICA


Se as duas sequências de Jurassic Park apresentaram um viés mais sombrio e dilacerador, em comparação com o tom de aventura e o estilo de câmera documental que Spielberg concebera no original de 1993, pode-se dizer que Jurassic World: Reino Ameaçado segue no mesmo estratagema após reintroduzir o impressionante parque da Ilha Nublar na produção que tanto lucrou em 2015. Assim, ainda que sua narrativa não seja das mais refinadas a ponto de flertar com melodramas de consecuções mambembes, por outro lado, é mais do que gratificante atestar que o novo filme mantém incólume o fascínio por estes pequenos e grandes dinossauros.

Escrito por Colin Trevorrow e Derek Connolly, Jurassic World: Fallen Kingdom (no original) talvez seja um dos filmes mais diferentes da franquia especificamente porque há muito mais intervenções visionárias de seu diretor do que uma mera transcrição do que há no roteiro com os mais refinados efeitos visuais. Conhecido pelo filme-catástrofe O Impossível e Sete Minutos Depois da Meia-Noite, J.A. Bayona contorna algumas obviedades narrativas e o exagero da destruction porn recorrendo à linguagem cinematográfica e por vezes antecipa o suspense fazendo ótimo uso de  planos-sequências, sombras e personagens recortados na contra-luz, não resistindo a tentação de aproximar Jurassic World do terror – e como esses momentos funcionam! Só é uma pena que a trilha de Michael Giacchino não siga o mesmo ilustre andamento de Bayona, orquestrando temas genéricos que apenas reiteram a sensação de cada sequência enquanto se distancia das notas de John Williams.

Universal Picutres/Divulgação)

Da parte do elenco, é inegável que Chris Pratt retorna todo carismático (todavia levemente prejudicado após sua parte em Vingadores: Guerra Infinita) como Owen, o domador de velociraptores que protagoniza a cena mais vexaminosa do longa ao escapar da lava com seu corpo anestesiado, mas sua parceria com Blue ainda o pontua como um herói que a trilogia anterior nunca teve o luxo de trabalhar bem. Com a câmera aos seus pés por mais de uma vez, Bryce Dallas Howard mostra que sua cativante Claire deixou o salto alto pra trás e se encontra em um dilema sobre preservar a vida dos dinossauros ou ameaçar a humanidade colocando os grandiosos predadores no mesmo espaço? Ou será que estes animais jurássicos são o menor dos males visto que, a julgar pelas ações dos vilões de Toby Jones e Rafe Spall, a ganância dos homens culmina em crueldades inestimáveis?

Universal Pictures/Divulgação)

Além disso, é bom ver que figuras veteranas como James Cromwell e Geraldine Chaplin sigam atuando e entregando perfomances firmes mesmo com os diálogos bambos do roteiro, o que nos leva à menina Maisie vivida pela Isabella Sermon que, com sua ótima expressividade, não só é uma revelação admirável como se faz um dos elementos mais emotivos do longa, que se delonga em uma especulativa subtrama sobre a tecnologia nas mãos da família Lockwood. Da parte dos mais jovens, Justice Smith (série The Get Down) e Daniella Pineda injetam um lado cômico e inteligente em suas funções, ainda que pareçam esporadicamente funcionais.

Universal Pictures/Divulgação)

Trilhando um futuro imprevisível para o seu desfecho (entendam isso como um bom sinal) e quase que comprometido por algumas de sua várias derrapadas roteirísticas, de qualquer modo, Jurassic World: Reino Ameaçado continua sendo um entretenimento empolgante graças à competência de seu diretor e do elenco principal que, em contato com animatrônicos cada vez mais realistas, entregam as interações mais divertidas e empolgantes de toda a série. 

Só resta torcer para que Colin Trevorrow não chegue em 2021 com o terceiro capítulo botando tudo o que deu certo até agora à beira da extinção.




P.S.: Há uma breve cena pós-créditos.

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