sexta-feira, 15 de junho de 2018

A Floricultura | CRÍTICA (7º Olhar de Cinema)


De coprodução belgo-eslovaca, com roteiro e direção escrito de Ruben Desiere, A Floricultura integrou a Mostra Competitiva da 7ª edição do Olhar de Cinema, em Curitiba, mas sua narrativa se faz pouco merecedora de qualquer prêmio. Ao tentar subverter a síntese dos filmes de roubo que tanto cativam as audiências mundo afora, o cineasta entrega aqui talvez o mais deprimente exemplar da história do gênero.


La Fleurière (título original) conta os planos de três imigrantes eslovacos, Tomi, Rasto e Mizu, em tentar roubar o Banco Nacional escavando um buraco nos fundos de uma floricultura próxima ao alvo. Nessa escavação pra lá de precária tal como a decupagem de Desiere e sua predileção por câmeras fixas e planos longos, o trio começa a fazer divagações sobre sua situação, suas ambições quando tiverem a grana em mãos e receios caso as coisas não saiam como esperado. Para quem está acostumado a estratégias deslumbrantes esquematizadas por gênios do crime que são impossíveis de não se simpatizar, a produção frustra o espectador ao não prover um espetáculo de ação – e quando o há, surge da forma mais mambembe possível.

Quisera ser realmente subversivo em sua proposta, A Floricultura só chama a atenção por expressar a discriminação quanto a ascendência cigana no lado rico da Europa, dialogando com a marginal situação dos rapazes do austríaco Irmãos da Noite, exibido no festival em 2016. Assim, se melhor se dedicado ao retrato social dos jovens, talvez Desiere teria em mãos uma obra um pouco mais memorável.




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