segunda-feira, 8 de maio de 2017

O Dia do Atentado | CRÍTICA


Toda vez que Hollywood se preza em dramatizar um acontecimento particular da História dos Estados Unidos, ou, mais especificamente, no retrato de acidentes e atentados terroristas recentes, não faltam dedos em riste apontando mais um filme de viés patriótico querendo impor a suposta "superioridade" americana às audiências internacionais. O título original de O Dia do Atentado não ajuda muito a reverter essa fama, mas, em sua condecoração explícita aos ditos heróis que salvaram vítimas e derrotaram o terrorismo em questão, ainda há uma admirável porção de humanidade nesta reconstituição  boa, mas excessivamente detalhada.


Patriots Day (como é o título em inglês) trata de encenar os acontecimentos antes, durante e depois do atentado à Maratona de Boston em abril de 2013 e que causou a morte de três pessoas e centenas de feridos. Para tanto, o roteiro escrito a seis mãos (incluindo as do diretor Peter Berg, de Horizonte Profundo: Desastre no Golfo) procura apresentar previamente todas as pessoas que, uma hora ou outra, serão intimamente ligadas ao ocorrido. Conhecemos, então, os policiais e investigadores vividos por Mark Wahlberg, J.K. Simmons, John Goodman e Kevin Bacon, além de civis (espectadores da maratona, uma namorada de um policial e ainda um imigrante chinês desenvolvedor de aplicativos) e, claro, os responsáveis pelo atentado: os irmãos Dzhokhar (Alex Wolff) e Tamerlan Tsarnaev (Thelmo Melikidze), além da esposa deste, interpretada por Melissa Benoist. São vários pontos de vista que, apesar de incialmente instrutivos e majoritariamente empáticos, tornam o início do filme mais arrastado do que deveria.

Por sorte, é quando dão largada à maratona que finalmente o ritmo chega ao filme e a tensão é construída por meio dos pares de perspectivas estabelecidas, além de aproveitar várias imagens reais de arquivo. O resultado: câmeras trêmulas que registram o caos a ponto de expor todo o sangue nas calçadas e alguns detalhes mais viscerais que ficam mais impactantes com a trilha sonora de Trent Reznor & Atticus Ross, prosseguindo com uma investigação meticulosa que se torna interessante de ver pela tecnologia envolvida a ponto de descobrir a identidade dos terroristas ao espiarem as câmeras de vigilância das ruas e de estabelecimentos próximos aos pontos das bombas. Admira-se também a condução de Berg no terceiro ato que passa a ser uma mescla de filme de perseguição e guerra urbana, ainda mais considerando as experiências prévias do diretor nos gêneros. 

Não espere de O Dia do Atentado atuações irreverentes ou montagens intelectuais que o tornariam distinto de tantos títulos semelhantes. Ainda que tenha em mãos uma direção segura, o corriqueiro apelo a cartelas explicativas e depoimentos no final tornam a experiência mais cansativa do que deveria, ainda que seja louvável sua mensagens positivas de resiliência e de acreditar que a humanidade pode ser mais forte do que todos os males inesperados.



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