quinta-feira, 6 de abril de 2017

Despedida em Grande Estilo | CRÍTICA


Cansados das malvadas burocracias do banco e da canalhice inescrupulosa da empresa que trabalharam por décadas, demitidos aí sem justa causa e sem receber o que lhes é por direito, os setentões Joe (Michael Caine), Willie (Morgan Freeman) e Al (Alan Arkin) só querem viver bem pelo resto das suas vidas e distante da sombra da decadência que tanto assola a população idosa com suas aposentadorias e pensões mais e mais minguantes. Se tal desejo parece difícil de alcançar, só resta ao trio de amigos encontrar uma forma de tirar o dinheiro daqueles que tomam do povo e, nesse assalto improvável, passamos a ser tanto cúmplices como reféns de vários minutos de diversão descompromissada.


Dirigido por Zach Braff a partir do roteiro de Theodore Melfi (Estrelas Além do Tempo), Despedida em Grande Estilo (Going In Style) é uma releitura do filme homônimo lançado em 1979 que também trazia um trio de veteranos atores cujos personagens estão propensos a cometer um roubo e incertos quanto às consequências disso. Quase quarenta anos depois, o novo filme surge como uma mescla novaiorquina de A Qualquer Custo e Eu, Daniel Blake, onde a justiça feita com as próprias mãos contra o sistema, apesar de problematizar menos, é o suficiente para mostrar que o menos favorecido, em qualquer lugar no planeta e no meio de tantos termos arbitrários nos contratos, é o consumidor frustrado.



Inspirado pelas falas a la Robin Hood de um assaltante, a ideia é deveras tentadora para Joe, que espera que a neta, Brooklyn (Joey King, carismática), continue numa escola boa e, consequentemente, tenha um futuro de carreiras promissoras. Sofrendo com um problema renal, Willie não é prioridade na lista de espera de um transplante e também anseia em ver sua neta além das sessões do Skype; já Al, talvez o mais acomodado dos três, se mostra reticente a princípio, mas não pode deixar os velhos amigos de guerra pra trás, ainda mais que são completamente despreparados para o infame "serviço". Um treinamento que, por si só, já rende boas risadas e que culmina na atrapalhada fuga de um mercado como teste, sem contar a homenagem/inspiração em um trecho de Um Dia de Cão que passa em um aparelho televisor.

Com ares de inteligência, graças ao habitual bom trabalho dos atores (sem contar uma trilha sonora característica e letreiros de contagens regressivas), a missão traz passagens cômicas sem tantos entraves dramáticos algo que, por outro lado, torna a investigação policial seguinte um tanto desinteressante e alheia ao corpo do roteiro, ainda mais com a personificação esnobe do detetive de Matt Dillon. Ademais, o longa reserva uma hilária participação de Christopher Lloyd (maluco como sempre) e Ann-Margret comprova que é possível envelhecer bem e fazendo sua personagem conquistar o coração do mais recluso daqueles senhores.



Talvez mais contido do que se esperaria de uma comédia típica com Leslie Nielsen e com um sentimento de culpa praticamente nulo (tampouco se fala em notas rastreadas), Despedida em Grande Estilo brinca com pegadinhas, cenas que abraçam o exagero e até finais falsos característicos do gênero, proporcionando risadas agradáveis e gostosas como o pedaço da torta doce que não pode faltar depois do café.




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