terça-feira, 20 de dezembro de 2016

Sing - Quem Canta Seus Males Espanta | CRÍTICA


Conquistando seu público a cada animação lançada, vide o retorno de Minions e Pets, o próximo filme da Illumination Entertainment não perde o pique ao se inspirar em outra paixão mundial: os reality shows musicais, aqueles que a audiência acompanha fielmente na torcida para que seus novos ídolos favoritos possam ter seu talento reconhecido e assim consolidar uma carreira musical de estimado sucesso. Ainda que esteja distante de ser um musical propriamente dito ou sequer faça uma adaptação animada de um The Voice, por exemplo, Sing - Quem Canta Seus Males Espanta acerta no tom da empatia de seus personagens.


Apaixonado pela magia das peças musicais desde criança, o coala Buster Moon (na voz original de Matthew McConaughey) é proprietário do teatro do qual sempre foi frequentador assíduo graças aos esforços de seu pai que trabalhou a vida inteira lavando carros para realizar o sonho do filho. No entanto, a empreitada de Moon parece estar com seus dias contados, uma vez que o prédio precisa de reformas e as peças ali encenadas já não possuem o mesmo brilho e lucro de outrora. Decidindo investir tudo (do pouco) que tem, o coala decide promover um show de talentos em busca de vozes raras para integrar o elenco de sua derradeira peça, o que não quer dizer que seus problemas acabaram.



É nesta seleção de talentos que reside um dos pontos positivos de Sing. Excluindo o aborrecível rato Mike, a animação acerta na inspiração dos tipos peculiares que ganharam o estrelato justamente por terem seus talentos alçados acima de suas condições físicas e/ou sociais, fatores que as emissoras dos realities tenderam a apelar nos últimos tempos. Com suas motivações pessoais, lá está o porco Gunter querendo remexer os quadris, o gorila Johnny busca no canto uma alternativa ao familiar mundo do crime, a elefanta Meena (num acerto da produção ao deixar as orelhas acuadas expressando sua timidez, algo que funcionou na voz da Sandy) é encorajada pela família a soltar a voz, a porca-espinho Ash busca no rock um desabafo para suas desilusões amorosas e, a mais interessante do grupo, a porca Rosita (na voz de Mariana Ximenes) busca o reconhecimento de si como um escape da rotina nada recíproca de cuidar dos vinte e cinco filhos e um marido fadado ao cansaço. Se a música sempre foi uma catarse para quem buscava um meio de amenizar os problemas, o ambiente ao redor dos personagens também será influenciado.

Ainda que seja divertido ver a turma cantando e se metendo em trapalhadas, o roteiro do diretor Garth Jennings não explora muito além daquilo que já foi visto em seu primeiro ato ou até mesmo nas prévias promocionais. A começar pelas músicas, que a equipe de dublagem preferiu não interpretar ao seu modo (embora tenham escalado artistas musicais brasileiros para compor as vozes, com exceção de Wanessa Camargo, que canta a única música original) e que muito pouco se expressa pelos personagens. As piadas tendem a se repetir e coadjuvantes exibem funções limitadas (a idosa Dona Kiki é responsável pela maioria das confusões, todavia engraçadinhas) até o final, culminando na edição do filme, que, desde o seu início, se mostrou receosa em cortar os tantos planos de outros animais fazendo suas audições. Se era pra gerar graça, nada mais chato do que ouvir alguém trocando de músicas incessantemente. Esquadrão Suicida que o diga. 



Reiterando os mesmos problemas de Pets - A Vida Secreta dos Bichos, Sing consegue ser um entretenimento carismático com seu bom humor constante e uma excelente qualidade visual, vide suas texturas refinadas e bem iluminadas que vem a calhar entre cada apresentação. Apesar de sua boa mensagem sobre realizar sonhos com o coro da amizade, é uma pena ver que a animação falha em seu melhor atributo, o musical. Sem querer ser chato, Trolls fez melhor com menos alarde.




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