quinta-feira, 8 de dezembro de 2016

A Última Ressaca do Ano | CRÍTICA



Mal novembro termina e dezembro se mostra um verdadeiro mês de festanças na maioria dos locais de trabalho ao redor do mundo, isso descontando as esperadas celebrações do Natal e Réveillon. Colegas de trabalho se alvoroçam com os preparativos e também para saber quem tirou quem no amigo secreto, um anúncio que virá à tona nos jantares ou festas de empresa, sempre regrada de bons comes e bebes, além de não faltar diversão para afogar as mágoas e o estresse acumulado durante o ano. Enquanto uma oportunidade para patrões esboçarem seu lado "camarada", esquecendo brevemente as cobranças de metas ou qualquer coisa digna de dor de cabeça, tais festas não escapam de ter seus momentos de vergonha alheia, coisa que tem de sobra em A Última Ressaca do Ano.


Clay Vanstone (T.J. Miller, Deadpool) chefia com bastante "liberdade" a sede da empresa de tecnologia de redes herdada de seu recém-falecido pai em Chicago, uma certa folga que é comedida por seu amigo e supervisor do local, Josh Parker (Jason Bateman, O Presente), e Mary, a caxias chefe de RH vivida por Kate McKinnon (Caça-Fantasmas). Prestes a promover a festa de final de ano da firma, a inesperada visita de sua irmã, Carol (Jennifer Aniston roubando a cena, de praxe), coloca um ultimato em Clay: ou a empresa atinge a nova meta de 12% ou 40% dos funcionários serão demitidos, provocando também o fechamento da sede. Obstinado e solene, Vanstone tentará a façanha de salvar sua propriedade (e seu pessoal, é claro...) encontrando potencial num projeto da programadora Tracey Hughes (Olivia Munn, X-Men: Apocalipse), o que não quer dizer que a turma encontrará um investidor na primeira oferta. Nada que uma boa festa de arromba resolva...



Dizer que conversas de escritório não são carregadas de zombarias e até promiscuidade seria a mesma coisa que tapar o sol com a peneira, e nisso o roteiro que Josh Gordon e Will Speck (ambos de Coincidência do Amor) dirigem é certeiro no retrato dos empregados, ainda que problemas conjugais/sexuais sejam, praticamente, um mal coletivo em todas as circunstâncias apresentadas. Tem secretária que é mãe solteira, trabalhador com complexo de Édipo, um chefe de setor que precisa contratar uma prostituta para fingir ser sua namorada e impressionar seus subordinados, e outros tantos exemplos que caem no escárnio depois de alguns drinks e outras drogas a mais. Se no início a festa prometia, a ponto de seu cenário principal lembrar (de longe) a estrutura da casa do impagável Um Convidado Bem Trapalhão, não demora para que a repetição dos excessos, como gags gestuais que vão e voltam em hiatos e o clamor para a baixaria, comprove que o filme é bem menos engraçado do que aparentava.



Embora a figura de Jason Bateman já esteja mais do que batida em "comédias de escritório", que Kate McKinnon se esforça para se portar como a mais debochada do bando ou que Olivia Munn esteja ali mais para fazer o papel de bonita (o que é óbvio) para flertar o coprotagonista, são as poucas cenas de Aniston e a insano resgate de um sequestro que ainda fazem de A Última Ressaca do Ano (Office Christmas Party) um filme de risos esporádicos, mas admirável por sua incomum mensagem de união natalina e (por que não?) seu praticamente explícito atentado ao pudor, pairando a dúvida se a produção seria tão "relação aberta" caso fosse realizada há uma ou mais décadas. Atordoante a ponto de acreditar que excessos de flatulências ainda são motivos para risos até o final do filme, existe a possibilidade de que tais momentos antes dessa ressaca sejam nada mais que, uma pena, esquecíveis. 




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