quinta-feira, 8 de setembro de 2016

O Homem nas Trevas | CRÍTICA



Fede Alvarez, responsável pelo remake de A Morte do Demônio, volta ao terror com uma pegada maior de suspense, fugindo do sangue e horror apresentado em seu último trabalho. Agora, com O Homem das Trevas, o diretor uruguaio entrega uma das maiores surpresas para este ano de 2016 que, infelizmente, não é um dos melhores anos para o cinema.

Com roteiro de Fede Alvarez e Rodo Mendez, a história acompanha um trio de invasores que realizam pequenos assaltos, formado por Alex (Dylan Minnette), que pensa nas consequências que podem ocorrer com os atos que fazem; Money (Daniel Zovatto), o bad boy da equipe, que não liga como as coisas ocorram, desde que no fim ele fique livre; e  Rocky (Jane Levy), que decide fazer seu ultimo assalto para conseguir fugir do horrível lar que vive com sua irmã mais nova (sendo a personagem melhor construída e explorada ao longo do filme). Para realizar um dos maiores assaltos, eles decidem invadir a casa de um deficiente visual (Stephen Lang), que possui uma grande quantia de dinheiro guardado dentro da casa. Os problemas começam a aparecer logo na entrada da casa, onde não conseguem entrar da maneira planejada, que segue para uma sequencia de gato e rato dentro da casa, onde eles não contavam com a experiência militar do residente da casa,  que vira o jogo ao prende-los dentro da casa.


Puxando mais para o suspense do que para o terror, o filme consegue criar climas agonizantes e cenas tensas que causam um certo desespero e medo, sem precisar recorrer ao uso de jumpscares, recorrentes em muitos filmes de terror da atualidade, onde o susto é gratuito e fica nisso mesmo (o que infelizmente tem se tornado um problema, pois filmes de terror como A Bruxa ou Corrente do Mal, acabam sendo considerados ruins devido a ausência de jumpscares). Em determinado ponto, você pensa que o filme está um pouco cansativo, mas uma reviravolta na história consegue te manter vivo durante o filme, e consegue explicar muito bem as motivações do Homem Cego e a sua loucura, não sendo apenas um vilão sem sentido.

Fede Alvarez acerta em sua direção, tendo destaque para dois planos. O primeiro é um plano normal da casa que os invasores vão entrar; que consegue mostrar o quão desafiador vai ser esse assalto. O outro é um plano-sequência (sensacional) que vai passando por vários cômodos da casa e vai mostrando planos detalhes de objetos que serão usados na trama de alguma maneira, já dando um gosto de como será amargo esse assalto. A fotografia de Pedro Luque está bonita; em diversos momentos ela consegue ser escura e ainda deixa você entender o que está acontecendo (diferente da segunda temporada de Demolidor, onde algumas cenas eram impossíveis de ser vistas devido a escuridão presente na tela); outro destaque é para o momento em que as personagens vão entrar em outro cômodo e uma luz vermelha toma conta da cena, passando a ideia de que algo perigoso pode acontecer ali.


No quesito atuação, Jane Levy tem o principal destaque; depois de estrelar Suburgatory por três temporadas, ela trabalhou ao lado de Alvarez em A Morte do Demônio, e a parceria deu certo a ponto de deixar Levy brilhar em seus momentos no filme, sendo os que carregam um drama maior, principalmente em uma cena onde a personagem encontra-se amarrada. Dylan Minnette (Goosebumps – possivelmente você pode confundir ele com o protagonista de Percy Jackson durante o filme inteiro, assim como eu) entrega uma atuação normal, nada acima da média, mas nada horrível também. Passando para o Homem Cego, Stephen Lang (Avatar) consegue dar uma atuação ótima para o oponente do trio, que em sua primeira aparição já mostra como será um desafio para os invasores. Com táticas militares e usando o fato de ser cego como vantagem em determinado momento do filme, Lang se transforma em uma figura assustadora, mesmo privado de visão.



Fugindo de clichês e acertando em momentos de suspense, O Homem nas Trevas (Don’t Breathe) é com certeza um dos melhores do ano, conseguindo renovar o tema do “monstro na casa” que já vem se repetindo há tempos. Direção, roteiro, fotografia e atuações conseguem criar uma atmosfera que pode demorar um pouco para que você entre nela, mas quando perceber, estará torcendo pelas personagens. Um filme onde você não levará sustos, mas deixará você nervoso, tenso e angustiado em vários momentos. 




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