quarta-feira, 10 de agosto de 2016

Um Espião e Meio | CRÍTICA


Um Espião e Meio (Central Intelligence no original, seguindo a onda de traduções estranhas) conta a história de Bob Stone (Dwayne Johnson), um garoto que sofria bullying na escola e passou por momentos traumáticos. Duas décadas depois, o tempo fez bem para Bob, agora musculoso e um agente sendo caçado aos moldes da série Bourne, o que o faz ir atrás de Calvin (Kevin Hart), o garoto mais popular da época de escola e que ajudou Bob no passado, hoje preso a uma carreira executiva e prestes a ser levado em diversos perigos.

A apresentação das personagens é bem feita, logo no inicio já é possível entender suas motivações e seus problemas. Calvin tem um destaque maior no início; é mostrado sua vida de casado e os conflitos que vem tendo com isso e com sua carreira como contador (um plano igual ao de Clube da Luta, onde mostra o narrador trabalhando cansado e com seus problemas de insônia, é reutilizado da mesma maneira neste filme, conseguindo ser uma boa referência e mostrando que Calvin não está mais tão contente como no colegial). Bob tem uma breve cena no começo, já revelando o porque dele ser traumatizado ao longo do filme e a transformação que ele passou nestes últimos 20 anos desde o fim do colegial. A partir de um evento criado para o reencontro dos formandos, Calvin recebe uma mensagem de Bob, dando início a amizade dos dois, que começa de maneira conturbada e lenta, mas consegue criar uma boa química entre eles, que começa a funcionar melhor no final do filme.


Inúmeras referências são feitas nesse filme desde Jason Bourne a Taylor Swift, com destaque para momentos que Dwayne Johnson é comparado ao Hércules (papel feito pelo ator em 2014) e quando Aaron Paul (Breaking BadDecisão de Riscocoloca um “bitch” depois de uma de suas falas, ressuscitando Jesse Pinkman por alguns segundos em uma tela de cinema, a surpresa não poderia ser menos bem-vinda. Diferente de Caça-Fantasmas e suas participações especiais que não funcionaram tanto, Um Espião e Meio consegue inserir algumas pontas funcionais ao longo do filme, como a de Melissa McCarthy (A Espiã que Sabia de Menos) e Jason Bateman (Arrested Development), acrescendo a narrativa.

A direção de Rawson Marshall Thurber (Família do Bagulho, DodgeBall) é boa, mas o destaque fica mais para o roteiro de Peter Steinfeld (Quebrando a Branca) e Ike Barinholtz, que conseguem amarrar bem toda a história dos protagonistas, e apresentar uma narrativa que consegue fugir do básico, e deixar você em dúvida sobre o que irá acontecer até o final do filme. Alguns clichês estão presentes, como tiros que não acertam os protagonistas e o vilão contando seu plano, mas são perdoáveis. E se Dwayne “The Rock” Johnson (Terremoto: A Falha de San Andreas) continua com o carisma de sempre e conquista o espectador em suas cenas, Kevin Hart (Policial em Apuros), por sua vez, parece estigmatizado ao tipo de personagem interpretado.


Um Espião e Meio é um bom filme que consegue agradar com seus momentos cômicos e que empolga por suas cenas de ação embaladas com músicas que deixam o filme mais “pop” e atual. Assuntos como amizade e superações são tratados durante a trama, e da mensagem deixada pelos agentes de dar valor ao que tem, a dupla de atores consegue proporcionar um bom entretenimento, mesmo que à primeira vista e com seu título típico de “Sessão da Tarde”, possa parecer uma mera comédia galhofa. 



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