sexta-feira, 19 de agosto de 2016

Ben-Hur | CRÍTICA


Escrito por Lew Wallace em 1880, Ben-Hur: Uma História do Cristo é um romance que veio a se tornar um best seller, levando-o a ser adaptado diversas vezes em outras mídias. Na sétima arte, tivemos a primeira versão de Ben Hur em 1907, e depois mais dois longas e uma minissérie para televisão em 2010. Tratando-se dos longas, Ben-Hur de 1959, dirigido por William Wyler e estrelado por Charlton Heston e com mais de 10 mil figurantes, é uma das maiores produções da história do cinema que conseguiu se tornar um marco ganhando onze das suas doze indicações no Oscar, dentre elas Melhor Filme, Diretor e Ator. Se a versão de 59 fez história com seus 222 minutos de duração, agora, em 2016, Timur Bekmambetov (Abraham Lincoln: Caçador de Vampiros) tem a difícil tarefa de readaptar o clássico épico para uma nova geração.

Em sua história, Judah Ben-Hur (Jack Huston) é um príncipe que acaba sendo acusado falsamente pela tentativa de assassinar Pôncio Pilatos (Pilou Asbæk), fazendo com que ele, sua mãe e irmã sejam presas por ordem de Messala (Toby Kebbell), meio irmão de Judah. Judah é enviado como escravo para remar os navios de guerra do Império Romano, onde passa anos sendo motivado pelo desejo de salvar sua família e de vingança pelo o que Messala fez com eles.

Comparações são difíceis de não serem feitas, ainda mais com várias mudanças na história e em suas cenas. Momentos como a cena de Judah no navio, remando com toda sua força no filme de 59, conseguia passar a tensão e o desespero da personagem, que se parasse de remar, iria de encontro a morte, acaba sendo mal executada em uma cena repleta de computação gráfica que não convence. As aparições de Jesus (Rodrigo Santoro) são fracas e não funcionam tão bem como o esperado, fazendo com que algumas cenas de Santoro sejam desnecessárias. A mudança na relação de Judah com Messala (onde são meio irmãos, ao invés de amigos de infância como 59) acaba ficando estranha pelo fato de quererem colocar uma relação mais afetiva entre eles, tornando-se fraca, e altera o desfecho de algumas personagens em relação ao filme clássico. Essa relação entre Judah e Messala é dualista. Os motivos de Judah são bem exploradas durante o filme, e mostram o porque dele querer a vingança que anseia; porém, Messala parece ter uma birrinha com seu meio irmão, tendo seus motivos mal construídos, deixando a personagem menos interessante. 



Alguns momentos dessa produção incomodam e desagradam, como relacionamentos de personagens (Judah e sua mulher em um reencontro, acabam não passando nenhuma emoção em determinado momento), e principalmente o uso do CGI, algo que vem atrapalhando muito a qualidade de alguns filmes atuais, como a recente Guerra Civil da Marvel. Em uma determinada cena com uma guerra envolvendo os navios do Império Romano, parecia mais uma cutscene de algum jogo do que do próprio filme.

A construção da história, que começa diretamente na famosa cena da corrida de quadriga, agrada e consegue ser um diferencial em relação ao clássico. Algumas cenas adicionadas neste filme, como as batalhas que Messala participa pelo Império Romano, conseguem agradar, mesmo sendo em poucos momentos rápidos. O roteiro consegue criar alguns plot twists para quem está vendo o épico pela primeira vez, o que não é necessariamente ruim. 



Jack Huston, do recente Orgulho e Preconceito e Zumbis, começa fraco com Judah Ben-Hur, mas após seus momento como escravo, consegue carregar uma carga dramática  um pouco mais convincente. Toby Kebbell, responsável pela atuação de Durotan em Warcraft, tem seu potencial pouco explorado por conta do roteiro, que da pouco espaço para seu desenvolvimento. Rodrigo Santoro, retorna aos épicos depois de 300, desta vez no papel de Jesus, que acaba tendo mais cenas que o filme clássico de 59 e agrada com suas aparições, mesmo que alguns momentos tenham sido desnecessários. Morgan Freeman (Truque de MestreUm Sonho de Liberdade) atua bem, entregando uma atuação esperada do grande ator no papel de Ilderim, que movimenta a trama para Judah participar da corrida de quadrigas (porém a peruca usada por ele acaba sendo um tanto quanto exagerada em seu tamanho). Pilou Asbæk (Euron Greyjoy de Game of Thrones), consegue fazer um bom comandante em suas poucas cenas como Pôncio Pilatos.



A polêmica questão dos remakes e reboots de clássicos parece nunca ter fim. Vimos isso com Caça-Fantasmas e Mad Max: Estrada da Fúria, que sofreram extremo preconceito pelo fato de readaptarem as franquias, sem os atores originais, e mesmo assim funcionaram, conquistando muitas pessoas. Sendo alvo dos mesmos discursos, Ben-Hur passa pelo mesmo problema se realmente precisava de tal revisão. 

Na realidade, precisava sim. Atualmente é difícil as pessoas terem tempo de ver um filme de 3h45 como o de 1959, e readaptar um clássico para as novas mídias é necessário em alguns casos, ainda mais com um filme tão antigo e renomado como esse. Para alguém que quer apenas se entreter, mesmo com algumas falhas em suas tentativas de comover o público, Ben-Hur ainda é um entretenimento garantido para quem busca uma fuga do dia-a-dia e rende bons momentos de ação, como seu clímax da corrida de quadrigas. 



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