quarta-feira, 27 de julho de 2016

Jason Bourne | CRÍTICA


Lá em 2002, entrava em cartaz nos cinemas Identidade Bourne, trazendo Matt Damon no papel de Jason Bourne, um completo desconhecido que, ao encontrar um chip implantado em seu corpo, descobre seu nome e origem. Uma acirrada jornada de fuga e busca por respostas que teve sua continuidade com A Supremacia Bourne e O Ultimato Bourne, que apresentaram características marcantes da série com a direção de Paul Greengrass, chegando até mesmo a revitalizar o gênero e outras franquias de espionagem. Agora, em 2016, Matt Damon está de volta em Jason Bourne junto ao diretor pela terceira vez, tentando trazer a franquia de volta após O Legado Bourne não ser tão satisfatório para os fãs da saga.

Jason Bourne encontra-se novamente afastado do mundo, vivendo escondido na Grécia como lutador de boxe clandestino e sua reintrodução na franquia vem em uma boa forma, sem música com tom heroico subindo aos poucos e/ou um plano onde exalta sua importância; Bourne simplesmente está lá, vivendo a vida no desconhecido. Enquanto isso, do outro lado do mundo, Nicky (Julia Stiles, voltando à franquia após O Ultimato Bourne) hackeia arquivos confidenciais da CIA e descobre informações envolvendo o pai de Jason Bourne. Com isso, Nicky parte em busca de Bourne, enquanto passa a ser caçada pela CIA, por ordem de seu diretor, Robert Dewey (Tommy Lee Jones). Em plena revolução civil grega, Jason Bourne reencontra-se com Nicky, recebendo o pen drive contendo as informações que ela descobriu da CIA, fazendo com que o agente passe a ser seguido novamente pelas pessoas envolvidas com outro grande mistério sobre seu passado, desta vez, envolvendo a morte de seu pai.



O quinto longa da franquia consegue trazer de volta a sensação de urgência da trilogia clássica, desconsiderando o filme com Jeremy Renner. Considerando a volta de Greengrass na direção, estão de volta as câmeras tremidas nas cenas de lutas e perseguições, os cortes rápidos na edição, deixando-as cenas mais frenéticas, e o zoom utilizado várias vezes; marcas consagradas da série que aqui beiram ao excesso com tantos cortes que é preciso esperar a cena acabar para entender o que aconteceu, o que pode deixar o espectador confuso em suas cenas de ação, que deveriam ser o ponto forte do filme. Com isso, o diretor entrega mais do mesmo, as cenas de ação são parecidas com as de seus antecessores – o que pode ser um agrado para quem esperou anos para a volta de Bourne, mas que acabam ficando repetitivas, até mesmo dentro de um só filme (imagina em toda saga Bourne), para quem não gosta muito de filmes do gênero. Até mesmo o roteiro é parecido com o do segundo filme. Há momentos parecidos em seu primeiro ato, como o fato de Jason estar escondido e ter que voltar ativa para descobrir algo do seu passado, não apresentando nada novo, uma história já contada várias vezes, principalmente dentro da própria franquia.

Falando nas perseguições, cruciais em todos os filmes da saga, Jason Bourne recebe uma para cada ato. A primeira consegue voltar ao clima dos antigos filmes, assim como a segunda, mas a terceira falha e força a barra com momentos onde Jason persegue Asset (Vincent Cassel, que já esteve ao lado de Damon em Doze Homens e Outro Segredo), que está em um carro esportivo blindado. Começando pelos diversos carros parados na rua, parecendo que não tinham motoristas, outro momento é quando Jason vai na contra-mão e praticamente tem um caminho desenhado por onde pode passar sem bater o carro que, por sinal, é estraçalhado em uma batida final, mas permitindo a saída quase intacta de Jason (tirando um corte no rosto). Clichês aos montes estão presentes no filme, como o personagem andando por uma feira cheia de gente e conseguindo roubar facilmente diversas pessoas que possuem objetos necessários para acessar algum lugar. Para completar a soma, a clássica cena de ampliar uma foto sem nitidez e fazer a qualidade dela melhorar também está presente.


Com seus 45 anos e apresentando uma boa performance, Matt Damon mantém o porte físico do primeiro Bourne, mas com uma maquiagem ajudando a envelhecer seu personagem. Tommy Lee Jones continua o mesmo, já meio que no modo automático de atuar. Julia Stiles continua mantendo sua personagem igual, sem muito destaque. São os novos nomes da franquia, então, que têm um maior destaque, começando pelo francês Vincent Cassel, que faz uma atuação básica de filme de ação, com direito a cara de mal e tudo mais; já Alicia Vikander, em sua alta demanda de papéis, entra no papel de Heather Lee, uma funcionária da CIA, mas entrega outra interpretação genérica. No geral, todas as atuações estão dentro do proposto pelo filme, não possuindo nada de especial.

Jason Bourne é um bom filme, recomendável para os extremos fãs da saga e de filmes de ação, mas se sustenta reaproveitando os elementos que deram certo nos filmes anteriores. É como se você assistisse a um novo Supremacia Bourne, com a mesma história, as mesmas estruturas das sequências de ação, o mesmo Matt Damon fazendo as mesmas coisas e os mesmos clichês que extrapolaram nesse filme de 2016. Parece que, mesmo depois de tantas fugas, tiros, socos e tudo o que há direito, hoje Bourne parece ter perdido sua identidade que o fazia um diferencial.



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