quinta-feira, 5 de maio de 2016

As novidades do 5º Olhar de Cinema


De 8 a 16 de junho acontece na capital paranaense a quinta edição do Festival Internacional de Cinema de Curitiba, o 5º Olhar de Cinema. Apesar da pouca idade, a mostra já faz parte do cenário cultural da cidade e traz filmes de diversos gêneros e nacionalidades para o público local. Dividido em nove mostras especiais, os filmes têm em comum a experimentação e a pesquisa de linguagem, mas que tratam de temas contemporâneos.

Mais uma vez, o Olhar de Cinema também oferece oficinas a entusiastas da área, além de seminários sobre o mercado cinematográfico.


Apostando em títulos inéditos, o Olhar traz como abertura o filme de ficção Operation Avalanche, dirigido por Matt Johnson (cujo The Dirties foi exibido no festival em 2014), volta aos Estados Unidos de 1967 e toda a paranoia acerca da corrida espacial, com a suspeita de um espião russo infiltrado na NASA para sabotar o programa Apollo, jovens agentes da CIA, disfarçados de equipe de filmagem que irá documentar a jornada rumo à lua, vão tentar descobrir quem pode ser o sabotador.







Olhares Clássicos


Se na abertura aposta em um filme jovem, o festival Olhar de Cinema também tem em sua seleção títulos que homenageiam aquilo que o cinema trouxe, mas o tempo não conseguiu destruir. É a mostra Olhares Clássicos, com filmes que além de ainda estarem na cabeça de quem os assistiu, são indispensáveis para os cinéfilos.

A mostra traz grandes nomes da sétima arte, como Lubitsch, Ford, Bresson, Parajanov e Fellini e outros, e tem em sua seleção filmes dos Estados Unidos, França, União Soviética, Itália, Índia e Brasil. Nomes de peso que certamente fazem parte das listas de prediletos dos exigentes cineclubistas locais.


Dos Estados Unidos, Ninotchka (1939), de Ernst Lubitsch, com a eterna musa do cinema Greta Garbo na pele da camarada Nina Ivanovna, e Como Era Verde Meu Vale (1941), de John Ford, sobre uma família de mineiros no País de Gales e as consequências da industrialização na vida daquelas pessoas.

Da França, o Olhar de Cinema trouxe Mouchette, a Virgem Possuída (1967), de Robert Bresson, e da Itália, Amarcord (1973), de Federico Fellini. Enquanto o primeiro fala de uma menina que tem uma vida difícil e que, depois de se perder na floresta, testemunha um assassinato; o segundo é um apanhado de memórias do diretor italiano durante o fascismo.

O armênio Sergei Parajanov, um dos grandes nomes do cinema soviético, está presente com o filme A Cor do Romã (1980), que recupera, de maneira lírica, a história devida do trovador Harutyun Sayatyan, ou Sayat Nova. O drama indiano Meghe Dhaka Tara (1960), de Ritwik Ghatak, também está entre os selecionados, e conta a história de Nita, que sacrifica sua vida por sua família.

Para completar a mostra Olhares Clássicos, o filme brasileiro Compasso de Espera (1969), único longa-metragem dirigido pelo diretor de teatro Antunes Filho. O longa fala sobre os preconceitos sociais e raciais que compõe a sociedade brasileira.



Olhar Retrospectivo


Walmor Chagas e Eva Wilma em cena do filme São Paulo S/A (1965), de Person.


No ano em que completaria 80 anos, 40 após sua morte, quem volta às telas é o incansável realizador Luiz Sérgio Person. Ele foi o nome escolhido para compor a mostra Olhar Retrospectivo da 5ª edição do festival.


Eclético, Person filmou grandes clássicos do cinema nacional como São Paulo S/A e O Caso dos Irmãos Naves, ambos selecionados na programação do festival, mas se destacou pela variedade que imprimiu em sua obra, que, apesar de ser alheia a movimentos bem determinados, aproveita-se do que o cinema oferece, seja do neorrealismo italiano a pornochanchada ou do cinema de gênero ao biográfico.

Todo esse ecletismo pode ser percebido na seleção da mostra Olhar Retrospectivo que conta ainda com os filmes Trilogia do Terror, assinado por Person junto com Ozualdo Candeias e José Mojica Marins, Panca de Valente e Cassy Jones - O Magnífico Sedutor. Além dos curtas L’ottimista sorridente e Al ladro, realizados enquanto Person cursava direção no Centro Sperimentale di Cinematografia de Roma.

Além das exibições, o Olhar de Cinema traz a Curitiba a viúva e as filha do diretor, Regina Jeha, Marina e Domingas Person que conversarão com o público sobre a obra e o cineasta.


Premiação

Os longas-metragens da Mostra Principal concorrem aos Prêmio Olhar de Melhor Filme; Prêmio Especial do Júri; Prêmio Contribuição Artística e Prêmio do Público. Os curtas concorrem aos Prêmio Olhar de Melhor Filme e Prêmio do Público.

Outros prêmios como Prêmio Olhares do Brasil, de curta e longa-metragem, e o prêmio Novo Olhar, que também analisam filmes de outras mostras também serão dados.

Além do júri oficial, outras premiações fazem parte do festival. São o Prêmio da Crítica, oferecido pela Associação Brasileira de Críticos de Cinema (Abraccine) e o Prêmio Hors Pistes, do Centro Pompidou.

Mercado

Paralelamente às exibições, o Olhar de Cinema promove o Mercado de Cinema de Curitiba, desenvolvendo atividades como Seminário de Cinema de Curitiba, Curitiba_Lab e oficinas (Montagem, ministrada, por Karen Akerman; Efeitos Visuais e Animação 3D, pela escola Escola R.evolution; Curadoria e Programação por Gustavo Beck)

Em breve serão divulgados os filmes de cada mostra, além do nome dos jurados de cada Mostra e as atividades do Mercado.

O festival conta com Patrocínio master do BNDES, Patrocínio da Sanepar, Apoio da Fundação Cultural de Curitiba realizado através da Lei de Incentivo à cultura, do ministério da cultura, Governo Federal. Com uma seleção bastante variada e cerca de 90 títulos de 30 países, o Olhar de Cinema possui uma das maiores programações de mostras principais de obras inéditas no Brasil.

Mais informações no site oficial do festival.

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