quinta-feira, 12 de maio de 2016

Angry Birds - O Filme | CRÍTICA


Estatísticas a parte, Angry Birds se tornou um dos games mais viciantes dos últimos anos. Graças a mobilidade de plataformas e uma premissa simples, conquistando jogadores de todas as faixas etárias, a finlandesa Rovio Entertainment provou ao mundo que diversão não precisa necessariamente ter gráficos fotorrealistas estonteantes, deixando a graça do jogo, com seu visual simples, a cargo da estratégia de cada desafio a ser vencido. Com uma série de jogos derivados lançados de 2009 pra cá, tal êxito impulsionou um lançamento no cinema, mas como filme, a história desses pássaros nervosos precisava de uma motivação mais detalhada.


Muito antes de se lançar com o estilingue no principal atrativo do gameAngry Birds - O Filme começa apresentando um mundo-ilha povoado por diversas aves coloridas e que desempenham as mais rotineiras funções antropomórficas em aparente paz e sincronia, mas o solitário Red (Marcelo Adnet/Jason Sudekis) sente problemas em tudo o que há ao seu redor. Do bullying na escola por suas sobrancelhas grossas à vida adulta isolada da comunidade, com sua casa à beira-mar, Red possui um magnetismo ímpar para transtornos, sendo "condenado" a passar por um tratamento de reabilitação e ser, assim como todos os demais, um pássaro feliz. Nem mesmo quando os porcos chegam à ilha, a vizinhança segue desmerecendo o esquentado Red e se deixa levar pelas novidades tecnológicas trazidas além-mar. Marcos na História de exemplo, a vinda desses estrangeiros verdes é cheia de segundas intenções, mas o confronto esperado está longe de começar.



Angry Birds, então, se torna aquele tipo de filme motivacional clássico, que coloca o herói da trama disposto a provar o contrário que pensam dele em uma jornada com seus novos amigos em busca do Mega Águia (dublado aqui por Márcio Simões e por Peter Dinklage lá fora), o único aparentemente capaz de voar e salvar os ovos roubados, mas não será bem assim. Experiente em animações e seriados como The OfficeJon Vitti assina um roteiro que, se por um lado desenvolve por extenso cada personalidade das aves em cena, enchendo de piadas e associações com os costumes da humanidade moderna, existe também uma subversão de arquétipos. A lendária figura do Águia, estampado e esculpido com músculos definidos em poses triunfais, surge decepcionante ao trio de amigos que tanto o idolatrava: fora de forma, preguiçoso e longe de parecer um típico mentor. Até mesmo Red (difícil de se socializar), o hiperativo Chuck (Fábio Porchat) e o conturbado Bomba (Mauro Ramos) fogem do modelo esperado de heróis e é no território dos porcos que eles provam a que vieram, e finalmente a animação da Sony Pictures Imageworks entrega a melhor parte da diversão.

Enquanto o público adulto provavelmente se interessa mais pelo meio social dos personagens, assim como a variada trilha sonora que acompanha, e as crianças abraçam o visual fofinho das aves e suas dezenas de trapalhadas, a necessidade de explicar cada elemento nas cenas vai se tornando entediante, uma sucessão de destaques referenciando o jogo cuja justificativa seria a obrigação auto-imposta dos produtores ao mostrar o quão fiéis foram com o material original, afinal, filmes baseados em games possuem uma má reputação com os fãs. Até a música-tema e os traços clássicos dos personagens estão lá, breves, porém funcionais. 



Atirando praticamente todos os personagens conhecidos dos jogos, a batalha na cidade dos porcos atinge sua comicidade épica e até os verdinhos inimigos rendem boas risadas em meio a tanta destruição. Mas, diferente das nossas jogadas, o ritmo rápido dá a impressão de que os pássaros aqui acertam quase todas de primeira, e cada ataque fica ainda melhor numa boa projeção 3D e também pela boa dublagem pela Delart, que inclui um empolgado Guilherme Briggs e Dani Calabresa como Matilda, no limiar entre a calma e a raiva. 

Comprometida pelo excesso de moral um tanto contraditória, essa jogada da Rovio e da Sony funciona pelo seu entretenimento e pelo indício de que os games, com bons argumentos, podem ser adaptados para o cinema trazendo mais do que um design interessante ou apenas o respeito com os fãs puristas. E se houver uma revanche, como tudo indica, espero que tenha muito mais ação.




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