sexta-feira, 4 de março de 2016

Kung Fu Panda 3 | CRÍTICA


A busca pela paz interior em Kung Fu Panda 2 levou Po (Jack Black/Lúcio Mauro Filho) a descobrir seu passado esquecido, lembranças das quais conectavam o pavão branco Lorde Shen com seus pais biológicos, logo quando se cogitava a extinção dos ursos pandas, causada pelo próprio vilão, na China animalesca. Neste novo capítulo da série, superior ao seu antecessor, predomina a importância de conhecer a si mesmo ao passo em que se religar com a família é essencial para se tornar um mestre e, mais uma vez, salvar a China de mais uma perigosa ameaça.


Em meio a sua comilança de pastéis e o treinamento com Mestre Shifu (Dustin Hoffman), que a cada capítulo parece testar o limite da sua paciência, o panda gigante Po é incumbido de ficar com o cargo de seu mentor e assim ensinar seus demais companheiros, os Cinco Furiosos, formados pela Tigresa (Angelina Jolie-Pitt), o Macaco (Jackie Chan), a Víbora (Lucy Liu), a Garça (David Cross) e o Louva-a-deus (Seth Rogen). Mas o que, exatamente, o atrapalhado urso pode transmitir ao seus mais que experientes companheiros, sendo que nem ele mesmo (e claro, os outros cinco) se sente preparado para tal tarefa? Vindo do mundo espiritual após roubar o chi de antigos guerreiros, incluindo o do Mestre Oogway, o touro Kai (J.K. Simmons) aprisiona seus rivais derrotados em pedras de jade, tornando-se cada vez mais poderoso e ameaça destruir todo o legado de Oogway e enfrentar aquele que seria capaz de derrotá-lo: o Dragão Guerreiro, que está mais preocupado com a aparição de seu pai biológico, Li Shan (Bryan Cranston).

Abandonando boa parte da irritante característica de Po em ser bobalhão por demais, afinal, contrariaria ainda mais os conceitos da Jornada do Herói no qual a franquia se insere, agora o panda está mais disposto a aprender as técnicas que forem necessárias para salvar sua Vila onde cresceu e a Aldeia dos Pandas, onde vem finalmente a descobrir quem ele realmente é – alguém que gosta de ajudar ao passo em que é ajudado, o que nos faz pensar numa versão sino-ocidental de Os Sete Samurais. Nisso, a co-direção de Jennifer Yuh e Alessandro Carloni, a partir do roteiro de Jonathan Aibel e Glen Berger, acerta ao não economizar em piadinhas visuais que mistura a delicadeza das artes marciais chinesas com o melhor da comédia pastelão que a filmografia de Jackie Chan consegue divertir até hoje, listando aí o confronto entre o Sr. Ping e Li, que disputam pela atenção do filho, os demais pandas com suas características singulares, a Tigreza se mostrando menos durona, alguns mestres guerreiros de espécies comicamente improváveis e, talvez o ponto mais caricato, a articulação limitada dos guerreiros de jade zumbis (aqui também?). Até mesmo Kai, que se auto-intitula "O Colecionador", tem um senso de humor irônico, embora habilidades muito semelhantes às do guerreiro Kratos dos games da série God of War, certamente uma inspiração coerente para o antagonista com sede de poder e vingança. Todas as passagens são conduzidas novamente com a boa e dinâmica trilha de Hans Zimmer, trazendo a graça e a festividade da música chinesa.



Na beleza visual dos cenários chineses, movimentos de kung fu e texturas dos personagens cada vez mais refinados pela Dreamworks Animation, somando aí o bom uso do 3D estereoscópico destacando as telas que por vezes viram pinturas de luzes e sombras bidimensionais, com seu ápice na gloriosa e áurea batalha final, a mensagem de Kung Fu Panda 3 não poderia ser menos sublime e essencial numa época em que se exige demais de cada indivíduo: a nossa vantagem reside justamente no que sabemos fazer melhor.




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