quarta-feira, 24 de fevereiro de 2016

Orgulho e Preconceito e Zumbis | CRÍTICA


Escrito por Jane Austen e publicado em 1813, o livro Orgulho e Preconceito continua marcando sua presença na contemporaneidade com relançamentos e releituras. Demonstrando a relevância da obra para a sociedade atual que, por mais "avançada" que possa se considerar em questões sentimentais/humanas, aqui a emoção pouco se difere dos antepassados a quem foi dirigido o livro original. 

Também baseado no livro homônimo, Orgulho e Preconceito e Zumbis (Pride And Prejudice And Zombies) escrito por Seth Grahame-Smith (autor também de Abraham Lincoln - Caçador de Vampiros e roteirista de Sombras da Noite, do Tim Burton) chega às telas como uma sátira sem de forma alguma denegrir a adaptação cinematográfica anterior, assim, portanto, a sequência de fatos é basicamente a mesma, mas apenas isso. No geral, a trama soube muito bem encaixar os zumbis que ainda estão em alta, sem perder os pormenores adocicados do seu antecessor. 


A trama, da mesma forma que a versão de 2009 (estralada por Keira Knightley e Matthew MacFadyen), conta a história das cinco irmãs Bennet e a busca incessante da mãe por pares e casamentos para suas filhas. Além disso, a presença do Sr. Bingley (Douglas Booth), um jovem rapaz e rico que passa a viver nas redondezas, junto com seu amigo, Sr. Darcy (Sam Riley), de aparência esnobe, dá esperanças a matriarca e agita as garotas, principalmente Jane (Bela Heathcote) e Elizabeth, interpretada por Lily James (Cinderela, 2015). Até aí nenhuma novidade. Porém, nesta nova versão, as garotas não são mais indefesas, frágeis e desprotegidas. Agora elas são guerreiras, muito bem treinadas pelos conhecimentos chineses de combate e prontas para defender os demais de ataques zumbis, assim como o Sr. Darcy que também é um caçador da espécie e sabe muito bem como identificar um, mesmo que este esteja na fase inicial de contaminação. Essa diferença de nível zumbi que a pessoa se encontra é bem interessante, considerando que dessa forma, recém mordidos, podem muito bem ser confundidos com pessoas saudáveis, além de que sua forma só será completa se consumirem cérebro humano, mas e se não consumirem?

O figurino e principalmente a maquiagem são muito bem feitos, trazendo zumbis bem convincentes sem serem repugnantes, se alinhando ainda mais ao contexto de época que a história se passa. Com relação a esse elemento excepcional, se, por repetição, a onda de produções com seres caindo aos pedaços no pacote pode acabar trazendo materiais clichês que ninguém mais aguenta (como toda a leva zumbi que recebemos no últimos anos), mérito ao filme que, em meio a tantos outros com o mesmo elemento em cena, não deixou que isso corrompesse a proposta, casando incrivelmente bem com o tema original de Orgulho e Preconceito e fazendo com que os estes mortos-vivos, tão "cultuados" na nossa sociedade atual, sejam mais do que monstros canibais – agora são integrantes dessa história de amor! Sendo esta uma boa pedida para entretenimento, assista de coração aberto, sem se preocupar com comparações e assim desfrute do melhor que o filme pode oferecer.



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