quarta-feira, 13 de janeiro de 2016

Snoopy & Charlie Brown - Peanuts, O Filme | CRÍTICA


Das tirinhas de Charles M. Schulz, a turminha de Charlie Brown e seu esperto beagle Snoopy conquistaram gerações no mundo todo, seja pelas histórias engraçadinhas, com sua reflexão pueril sobre o mundo ao seu redor, ou pelos traços e personalidades característicos das crianças. Invadindo os desenhos animados e chegando, por fim, a uma caprichada animação em 3D feita pela Bluesky Studios, esta apresentação de Snoopy & Charlie Brown - Peanuts, O Filme (The Peanuts Movie) é cheia de graça, mas fica longe de ser uma historinha memorável para todas as idades.

Todos os amigos e colegas de Charlie Brown possuem suas qualidades e defeitos próprios, mas parece que a falta de confiança do garoto, ou assim dá a entender pela sua consecutiva falta de sorte, é o principal problema na hora da aula ou até mesmo nas brincadeiras, muitas vezes privando-o de acertar alguma vez na vida. Por sorte, o gentil Charlie tem o inestimável apoio do amigo sonolento, mas bondoso, Linus e o seu fiel cãozinho arteiro, que nas horas vagas confabula aventuras épicas com o passarinho Woodstock, tudo em busca do conto de amor perfeito. A chegada de uma nova vizinha em frente a sua casa deixa Charlie, no mínimo, curioso, se não perdidamente apaixonado...

Pegando boa parte de passagens conhecidas das tirinhas e até dos desenhos animados, os roteiristas Bryan e Craig Schulz (neto e filho de Charles M. Schulz, respectivamente) e Cornelius Uliano procuram criar uma narrativa bastante divertida, sendo bastante fiéis aos elementos desse mundo onde domina a perspectiva infantil e é curioso como as crianças parecem bem dispostas e independentes (até demais) sem figuras adultas presentes, a não ser por grunhidos com instruções nas aulas. Cada personagem, desde a meticulosa Lucy, a peralta Patty Pimentinha e o pianista Schroeder, por exemplo, estão bem apresentados e têm seus momentos especiais, incluindo também a famosa composição do menino que tanto se inspira em Beethoven, reforçada com a boa trilha de Christophe Beck. Até Snoopy tem seu momento de brilhar – e vai ser duelando contra um famoso avião alemão.


Se o início é bastante gostoso de se assistir, graças à curiosa mescla da animação 3D com os desenhos "originais" em 2D à lápis, subvertendo os pensamentos das crianças, às texturas bem verossímeis (o que dizer da fofura do pelo do Snoopy?) e claro, às boas piadinhas e ações, o problema de Snoopy & Charlie Brown é que as resoluções dos conflitos são fáceis demais, conformando nosso herói principal mais cedo que o esperado. Assim, outras situações (que vão cansando) são encaixadas no decorrer do ano da história (a dança do inverno é minha favorita), mais parecendo que estamos vendo um apanhado de episódios do desenho, agora modernizado e bem colorido, com músicas da Meghan Trainorum bom uso da profundidade do 3D. Entrementes, tendo em mãos este recurso que se tornou praticamente compulsório nas animações, faltou uma interação maior com o público, que abriria mão do conforto das poltronas para se juntar àquelas animadas brincadeiras.



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