quarta-feira, 25 de novembro de 2015

A Visita | CRÍTICA



O diretor M. Night Shyamalan foi uma das grandes revelações do suspense na virada do século, tendo em mãos um currículo que encerrou essa boa fase em 2004, com A Vila. Depois disso, Shyamalan apresentou uma série de filmes que caíram no desagrado dos fãs e da crítica que tanto o superestimaram desde o início. Habilidoso no gênero ou não, o diretor de O Sexto Sentido rebusca no cinema amador de A Visita um meio de voltar a boa forma.

Sem rodeios, a trama do novo filme escrito e dirigido por aquele que foi considerado um mestre do suspense no início dos anos 2000 é bastante simples, mas isso não quer dizer que seja menos amedrontadora. Abraçando o limitado recurso de mostrar os vídeos capturados pelas câmeras presentes nas cenas, Shyamalan recorre a um elenco pouco conhecido e uma trama que prende fácil o espectador: tendo fugido de casa aos 19 anos, por motivos que se recusa a falar a verdade, uma mãe recém-separada pede aos filhos para passar uma semana na casa dos avós maternos que nunca conheceram, uma tarefa árdua para dois adolescentes que surtam brevemente por saber que na região não terá sinal de celular. Para Becca (Olivia DeJonge), aspirante a cineasta, este passeio que tem tudo pra ser chato se torna uma boa oportunidade para se registrar um documentário de família. Quem sabe, descobrir o mistério da separação entre pais e filha, mas é na prática e no convívio com os avós tão estranhos que o direcionamento do seu filme vai mudar.


Ao expor a todo instante a simplicidade de sua nova obra, por mais que Becca recite sobre termos cinematográficos como mise-en-scène (algo que passa facilmente despercebido nas sequências), Shyamalan consegue tirar proveito desse suposto amadorismo e emprega pares de boas cenas de sustos que intensificam cada vez mais o suspense de seu roteiro, fazendo as pessoas e até mesmo suas personagens acreditarem em um caso sobrenatural que precisa ser investigado, e aqui a falta de perspectiva em detrimento ao uso de duas câmeras (assim parece...) causa uma angústia que é positiva para a produção. Por outro lado, o comportamento, as falas e piadinhas cansativas do garoto Tyler (Ed Oxenbould) e os direcionamentos facilmente resolvidos do último terço do filme deixem a história, que já tem pouco a contar, pra lá de desinteressante. Se a(s) cena(s) da limpeza do forno parecem memoráveis, é porque a edição não parece dar tempo a outros momentos registrados; por sorte, a atuação de Deanna Dunagan como a avó das crianças é, senão, a melhor ali.

Se o diretor indiano busca uma redenção por meio de um conto "minimalista", o problema de M. Night Shyamalan parece mesmo ser suas súbitas perdas de controle que tem de seus roteiros, que começam bem, envolvem o espectador em meio a sua competência técnica e artística, mas extrapolam em suas catarses que, de lá pra cá, desmontam a suspensão da descrença. Contrariando um pouco Glauber Rocha, fazer cinema sempre foi mais do que ter "uma câmera na mão e uma ideia na cabeça".




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