sexta-feira, 30 de outubro de 2015

O Último Caçador de Bruxas | CRÍTICA


Num primeiro momento, parece que O Último Caçador de Bruxas (The Last Witch Hunter) se trata de mais uma adaptação de um livro de fantasia contemporâneo ou até mesmo um game pouco conhecido pelo grande público. Pelo contrário, é uma produção original, ou pelo menos deveria ser, uma vez que se apropria de temas bastante comuns em filmes e jogos de RPG do gênero, além de uma trama convencional e previsível.


Séculos passados, Kaulder (Vin Diesel) e outros membros da Ordem da Cruz e Machado tinham como objetivo livrar o mundo das bruxas que tanto assolam a humanidade com o terror. Para elas, os homens são intrusos de suas terras, mas também não apresentam nenhuma qualidade pacífica. Quando Kaulder, a muito custo, elimina a Mãe-Bruxa, esta lhe concede a "maldição" da vida eterna e só mesmo nos dias atuais que o Caçador voltaria a ter problemas, especialmente quando seu atual assistente é misteriosamente assassinado pouco tempo depois de ter decretado sua aposentadoria.

Nessa mistura de elementos sacros e profanos, o filme é uma mistura de O Código Da Vinci, Harry Potter, Game Of Thrones e, claro, com toques de boa parte dos papéis já representados por Vin Diesel. Até mesmo um carro possante ele tem o direito. Transformando redutos urbanos de Nova York em filiais de um Beco Diagonal hipster-gótico do século XXI, acompanhamos Kaulder e sua protegida bruxa Chloe (Rose Leslie, um colírio/alívio para a narrativa), atrás de pistas que podem indicar o paradeiro do real assassino do 36º Dolan (Michael Caine, repetindo o "arquétipo" de Alfred), mas tudo indica que há uma conspiração para ressuscitar a Mãe-Bruxa novamente, além de por um fim na eternidade de Kaulder, obviamente.


Para quem não é exigente com obras do gênero e aprecia até mesmo títulos como Eragon e O Sétimo Filho, é possível que o filme seja um bom divertimento, até porque há cenas de ação regularmente boas, ainda que atrapalhadas por um trio formado por uma edição picotada, uma fotografia escurecida e a trilha incessante e batida de Steve Jablonsky. É uma pena que, com uma produção até que esforçada, espadas flamejantes realísticas (para delírio dos fãs de RPG) e uma vilã com um visual interessante, mas personalidade quase-nula, O Último Caçador de Bruxas fica devendo uma melhor exploração de seu universo breve e insuficientemente aproveitado, o que poderia render uma aventura mais astuta e instigante.

Cabe a nós esperarmos por Animais Fantásticos e Onde Habitam, quando o mundo dos bruxos era bem mais fascinante.




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