quarta-feira, 7 de outubro de 2015

Horas de Desespero | CRÍTICA


Em 2014, um dos candidatos ao Oscar de Melhor Documentário era o inquietante O Ato de Matar, de Joshua Oppenheimer. Em sua exibição visceral dos atos de um grupo extremista que por anos praticou o terror na Indonésia, o diretor revelou também um lado cineasta dos integrantes, convidando-os a reencenar suas matanças e aí encontrando uma possível reflexão. Tirando todo o sadismo apresentado no documentário, parece que tal sede dos indonésios por sangue motivou os realizadores de Horas de Desespero (No Escape) a recriar um tipo de filme de ação comum nas décadas de oitenta e noventa, onde imperava a regra do "atire antes e pergunte depois".


Representante de uma empresa de recursos hídricos, Jack Dwyer (Owen Wilson) está de mudança com a família para um país próximo ao Vietnã após o presidente ter assinado e cedido os serviços de saneamento para a empresa privada americana, mal sabendo as consequências catastróficas que tal ato traria àquela nação. Sem ter conhecimento mínimo sobre a situação, Dwyer deixa a esposa (Lake Bell) e as filhas no luxuoso hotel em busca de um jornal em inglês, mas logo encontra nas ruas o início de uma chacina que vai tomar a cidade inteira. Mercenários disparam balas, atiram garrafas de coquetel molotov e avançam sobre os escudos partidos de uma polícia facilmente derrubada; até moradores e turistas considerado brancos não são poupados. Um verdadeiro cerco de horror que dificilmente fornece brechas para fugir e nem mesmo o selvagem agente britânico Hammond (Pierce Brosnan, carismático como sempre) vai conseguir dar conta de todos os terroristas sozinho. Quem dera o ator tivesse um tempo de tela melhor...

A todo instante e a cada cena, fica evidente que os irmãos John Erick Dowdle e Drew Dowdle tentam traçar uma marca autoral, particularmente nos momentos em que planos-sequências (evidentemente picotados) e recursos como câmeras lentas a 60 frames aparecem na suntuosa introdução ou nas cenas em que a família está enrascada nesta fuga de aparentes 24 horas. Não falta também empatia pelos protagonistas, que expõem a todo momento sua indefesa e deixando o espectador pra lá de agoniado até os últimos minutos, por mais que as ações (forçadas/tolas) tomadas a partir do segundo ato apontem uma fragilidade cada vez maior do roteiro que, entre as diversas sequências de tiros e explosões, pouco se importa em trabalhar a fundo as reais sequelas do imperialismo que muitas vezes se disfarça como benefício da globalização. 





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