quarta-feira, 23 de setembro de 2015

Um Senhor Estagiário | CRÍTICA


Os tempos estão mudando e não há porque contradizê-los. Jovens conseguem alavancar suas start-ups com o alcance da Internet, as mulheres saem para trabalhar enquanto os maridos lidam com os afazeres domésticos e a aposentadoria já não é mais o fim da jornada de trabalho do pessoal mais velho. Com todo o respeito, Um Senhor Estagiário (The Intern) é um bem-vindo e emocionante conto urbano para estes novos tempos modernos. 


Experiente em comédias românticas, a diretora Nancy Meyers nos conduz por uma Nova York bastante jovial e, o que não é novidade, completamente integrada às redes sociais. A About The Fit (ou Sob Medida) é uma daquelas empresas do ramo de comércio online onde qualquer jovem egresso da faculdade quer trabalhar e seguir carreira, tudo por causa do ambiente de trabalho amistoso e bem estruturado (até serviço de massagem tem!), fruto do incansável trabalho de Jules Ostin (Anne Hathaway) que, em poucos anos, tem mais de duzentos funcionários e sucesso de vendas pelo país inteiro. Atarefada por opção e praticamente sem tempo para o marido e a filha, Jules acata a "solene" decisão de ter um estagiário sênior e, o que no início parecia se inclinar para uma pura bobagem e um exercício de paciência, a empreendedora vai encontrar em Ben Whittaker (Robert De Niro) alguém que vai entendê-la a fundo.



Fazia algum tempo que De Niro nos devia uma boa atuação e aqui ele adentra seu personagem com muita diversão e comprometimento. Ben é esse senhor de setenta anos que não tem nada a perder e, mesmo sendo viúvo há alguns anos, o senhor-rapaz tem boa disposição com a vida, é cavalheiro como poucos e não vê problemas em aprender coisas novas e, o que vai render muita diversão, especialmente quando vai ajudar seus colegas (décadas mais novos) na empresa. E como ele ajuda (até demais)...

Para quem esperava que Anne Hathaway se tornasse uma nova encarnação da Miranda de O Diabo Veste Prada, é curioso notar como a atriz se desprende de tal estigma e constrói bem sua personagem, ainda que o roteiro insista em torná-la constante e superficialmente bipolar, tudo para ser acudida por seu estagiário. Cheia de "não-me-toques" no início, mas ainda assim uma patroa inspiradora, logo os problemas em casa e na própria empresa vão fazer com que Jules aceite o ombro-amigo de Ben, assim como seus conselhos adquiridos de uma experiência de vida onde teve pouco a reclamar, mas ainda assim, acreditava num amor que durasse a vida inteira, encontrando na esposa uma parceira confidente. Uma prática que, de acordo com a visão da diretora, não parece estar mais em moda.



Vendo por um lado, Um Senhor Estagiário mais parece um discurso de alguém mais velho contestando uma juventude que não sabe resolver seus problemas sem que tenha a mão de uma figura "paterna" pra controlar tudo. No entanto, é na sensação de bem-estar que o filme, entre seus diversos incidentes (que chegam a cansar), pega os desprevenidos e fornece não só um lenço, mas uma história fácil de ser apreciada com muita coisa pra rir e até pra chorar.


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