segunda-feira, 7 de setembro de 2015

O Agente da U.N.C.L.E. | CRÍTICA

 

O cinema já mostrou diversas vezes o quão paranoico foi o período da Guerra Fria, especialmente antes da chegada colorida dos hippies e seus movimentos de contracultura. Mas, excetuando as primeiras películas de James Bond, dificilmente vimos uma retratação tão charmosa e envolvente quanto o Agente da U.N.C.L.E. (The Man From U.N.C.L.E) que o diretor Guy Ritchie exibe em grande estilo e até menos complicado.


O garboso Napoleon Solo (Henry Cavill, carismático), um agente da CIA, adentra a Alemanha Oriental atrás do paradeiro de um professor que trabalhou para os nazistas na época da Segunda Guerra Mundial e lá, escondida no meio de uma oficina de carros, está a filha daquele que desenvolveu o projeto de uma bomba atômica e que pode ter caído em mãos erradas, ou pior, sempre esteve escondida. Procurando extraditar Gaby (Alicia Vikander, bastante esforçada) do território soviético, Solo acaba se deparando com um agente da KGB, o perturbado Ilya Kuryakin (Armie Hammer), e o encontro em alta velocidade desses dois já garante uma das cenas mais empolgantes do filme, com direito a fugas improváveis e apetrechos típicos de espiões. Depois de tantos estragos ali e acolá, trabalhar juntos era a última coisa que os dois (além da garota) pensariam em fazer, mesmo quando o pacote envolve luxuosas viagens, mulheres e festas na Itália.

Com sua filmografia bastante maneirista, desta vez Ritchie aparece um pouco contido em suas predileções, parecendo um tanto econômico nas suas composições e ressaltando a riqueza de uma era que saía da escala cinzenta da década de 1950 para, junto com o cinema, receber de braços abertos as cores vibrantes de um período igualmente radical. Todavia, não faltam as revisões de pontos de vista que tanto consagraram os dois Sherlock Holmes, aqui em especial no momento em que Solo adentra a festa particular de Victoria (Elizabeth Debicki) e Alexander (Luca Calvani), os vilões da trama, montando primeiramente com alguns planos fechados para depois abrir os enquadramentos e revelar algo que sempre esteve ali na discrição dos gestos do espião. Quem conhece o estilo do diretor, pode matar as charadas logo de cara, mas não há nada mal em rever os detalhes com um pouco mais de humor e com a envolvente trilha de Daniel Pemberton, reverberando toques nostálgicos entre músicas da época.



Algumas vezes sádico e debochado (vide uma cena de tortura), em outras pretensioso em querer mostrar brigas e perseguições com uma câmera fixa, seja na briga entre Gaby e Ilya no quarto de hotel ou quando Solo banqueteia-se com um sanduíche achado num caminhão enquanto seu parceiro russo duela com capangas em lanchas (refletido no parabrisa do veículo), o diretor quer jogar com todos os clichês do subgênero para tirar uma conclusão própria dali e, quando as ideias se esgotam, o roteiro de Ritchie e Lionel Wigram encontram soluções rápidas – até demais. 

Acertando em seus objetivos diretos e descomplicados, com suas habituais reviravoltas (ora funcionais ora previsíveis), o que dá a entender é que essas missões de espiões, encobrindo as ameaças globais que tanto se reciclam em contagens regressivas, bem no fim parece que sempre tiveram o intuito de serem orgias internacionais de pura ostentação e com pouca chance de prestação de contas. Afinal, os fins (explosivos) justificam os meios.




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