segunda-feira, 21 de setembro de 2015

Evereste | CRÍTICA


O que motiva as pessoas a largarem suas famílias e partirem em uma expedição para escalar um dos maiores picos da Terra? Indiretamente, é uma das perguntas que são feitas aos clientes da Adventure Consultants de Rob Hall (Jason Clarke) no acampamento, ainda distante do cume do Monte Everest. Reencenando a fatídica expedição de maio de 1996 com um grande e conhecido elenco, Evereste equilibra o espírito de aventura com o temor de vencer o que é quase impossível para o corpo humano.


Tendo criado sua companhia em 1992, o alpinista neozelandês Rob Hall foi um dos pioneiros a estabelecer expedições comerciais ao pico localizado no Tibet e, mesmo (parecendo) cientes das ameaças naturais do destino, como o oxigênio escasso e demais efeitos provocados pela altitude, pessoas de várias regiões do mundo pagaram a quantia de 65 mil dólares (assim conta Beck Weathers, interpretado por Josh Brolin) para desafiar seus próprios limites e vivenciar algo perigosamente novo. Até mesmo o autor do cultuado Na Natureza Selvagem, Jon Krakauer (Michael Kelly), resolveu se aventurar nessa e, posteriormente, escreveu o livro No Ar Rarefeito. Para quem diz que a volta é mais fácil, espere pela contradição com as piores intempéries.

Em sua previsibilidade dos incidentes, até mesmo para quem desconhecia a tragédia, Evereste carrega atuações pra lá de competentes, com Jason Clarke entregando, se não, a atuação mais carismática de sua carreira, juntamente com o apoio da veterana Emily Watson que, embora presa a praticamente um cenário, demonstra seriedade com seu papel. Os alpinistas de primeira viagem também não estão ofuscados e cada um tem seu tempo de tela para expressarem suas motivações de estarem ali, novamente, bem representados por seus atores. 



Se até então o diretor Baltasar Kormákur acerta e cria uma atmosfera envolvente para a jornada, os respectivos papéis de Robin Wright, Keira Knightley e até mesmo de Jake Gyllenhaal ficam bastante restringidos e limitados a poucas cenas que até soam emocionantes, mas logo começam a perturbar pelo acúmulo de informações. Para quem está curtindo a boa e interessante fase do ator com seus personagens de físicos e mentalidades distintas, ficará um pouco descontente com o pouco caso que a edição faz com seu personagem.



Evereste, em suma, é um filme para ser apreciado e pouco além disso. Pouco a pouco o roteiro apresenta furos (aonde foram parar os tais tubos de oxigênio?) e insiste na estupidez de seus personagens, em especial  a do teimoso Weathers e até mesmo o experiente Hall. O que era pra ser algo inspirador, logo se torna uma experiência irritante. Contudo, vale o "entretenimento" proporcionado pela ótima mixagem de som e o 3D convertido, que ora ajuda, ora perturba, mas ainda assim transmite a sensação de profundidade mais do que esperada da montanha mais alta do mundo.




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