quinta-feira, 23 de julho de 2015

Pixels | CRÍTICA


Adaptar vídeo-games para o cinema nunca deu muito certo em Hollywood. Possuindo um teor praticamente distinto de suas obras de origem, a proposta só foi dar certo quando Detona Ralph lançou em 2012 trazendo o poderoso fator nostalgia e uma trama de redenção. Pra alegria dos fãs, deu certo: personagens de diversos games consagrados, e até de consoles rivais, interagindo entre si em uma só história! Com temática semelhante e uma execução inferiorizada, Pixels quer relembrar o saudosismo de se passar as tardes nos fliperamas dos anos 1980 com os amigos e jogando aventuras praticamente esquecidas, mas com um detalhe: os personagens, até então digitais, querem destruir nosso planeta!


Tudo porque, lá em 1982, depois de um acirrado torneio de Donkey Kong, a Terra lançou uma cápsula contendo imagens dos jogos daquela época e uma raça alienígena entendeu isso muito errado. Um fato apenas mencionado e que poderia ser melhor aproveitado, até porque essa ameaça surge em grandes escalas, mas sem peso dramático qualquer. Ainda naquele ano, conhecemos os futuros heróis do planeta que mal esperavam o que viriam enfrentar depois de três décadas e aí descobrimos porque Chris Columbus era diretor ideal para o projeto: o acalorado clima de amizade entre pré-adolescentes nerds, a rivalidade em querer ser campeão no fliperama no Pac-Man, Galaga e Asteroid, sem contar o toque divertido nas aventuras que o diretor sempre soube colocar na maior parte de sua filmografia. Uma pena que o tempo passa...


Procurando seguir os padrões, algo dito praticamente a todo instante por Sam Brenner (Adam Sandler), os roteiristas Tim Herily e Timothy Dowling investem num melodrama bastante superficial e com o bônus de pontuar com alívios cômicos sempre que possível em breves momentos risíveis. Além disso, há uma necessidade de trazer referências da cultura pop contemporânea a fim de conquistar o público mais jovem que, estereotipados pelos mais velhos, é acometido de não conhecer os games antigos. Aquele papo chato e gasto de que "na minha época era bem melhor", uma recusa pífia em conhecer o novo que é tão bom quanto o antigo.

Excetuando o comportamento clássico/batido de nerds quarentões, que até trazem ações engraçadas de Josh Gad e o melhor, mas ainda pouco aproveitado, Peter Dinklage, as cenas de ação que tomam as ruas de Londres, Nova York e Washington são divertidas (em especial a do Pac-Man) e até beiram a uma comédia pastelão, mas não há nada que possa ser chamado de memorável, ainda que os gráficos são de encher os olhos de tão coloridos e luminosos que ficaram os personagens. A conversão 3D é completamente mal empregada e os cubos de pixels nada ou pouco "saltam da tela", só existindo a profundidade quando aparecem títulos e legendas.


Poderia ser um clássico jogo de tiro ou corrida pra lá de despretensioso e divertido, mas com seus melodramas fracos e atrapalhados (vide o clima "amoroso" entre os personagens de Sandler e Michelle Monaghan), personagens mal aproveitados (pobre Q*bert...), Pixels gasta suas fichas num cansativo jogo de RPG com muito papo furado e pouco entretenimento.


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