quinta-feira, 2 de julho de 2015

O Exterminador do Futuro: Gênesis | CRÍTICA


Os dois primeiros filmes da série O Exterminador do Futuro foram um verdadeiro marco para o cinema que respirava a cultura cyberpunk dos anos 1980. Com seu domínio em cenas de ação (e roteiros um tanto cafonas), James Cameron mostrou ao mundo como a tecnologia robótica parecia letal caso descontrolada. O tempo passou, as tecnologias avançaram e duas sequências que sucederam àquela em que colocou o T-800 de Arnold Schwarzenegger como herói tentavam atualizar seu conflito, mas a causa cada vez mais defasada. Novamente, a franquia tenta ganhar um novo impulso, pegando o que havia de melhor nos primeiros filmes e aplicando em várias viagens temporais, especialmente numa época em que ciborgues malvados já soam desinteressantes.

Em 2029, Los Angeles está subjugada às máquinas da Skynet e a humanidade estaria quase extinta se não fosse a astúcia de John Connor (Jason Clarke) e seu protegido Kyle Reese (Jai Courtney). Quando o apocalipse robótico parece ter chegado ao seu fim, um T-800 é mandado para 1984 e exterminar Sarah Connor, mãe daquele que viria a comandar toda a resistência ali. Num plano de emergência, Connor manda Reese para o passado e aí é a mesma história do primeiro filme. Seria, caso a própria Sarah Connor (Emilia Clarke) não viesse ao auxílio de Kyle, perseguido por um T-1000 (Byung-hun Lee), com a ajuda do seu "Papi", nada mais do que um T-800 (Schwarzenegger) mandado quando Sarah era ainda criança, desta vez, com a intenção de protegê-la. Por mais que algumas cenas sejam praticamente idênticas, os filmes anteriores são anulados a partir de agora.


Com essa mudança na linha do tempo, a Skynet não é o único perigo próximo. O Genisys, um eficiente sistema operacional campeão de vendas próximo de lançar sua próxima versão em 2017, época em que Kyle estava prestes a completar 13 anos, nada mais é do que um vírus que coleta dados pessoais. Para Sarah, a informação de que o Julgamento Final seria em 1997 já está datada, mas o caos pode acontecer 20 anos depois do esperado. A grande surpresa, então, é que Papi e Sarah deram um jeito de diminuir a longa espera e permitir que o domínio das máquinas se concretize lá. E este futuro reserva várias surpresas e pessoas conhecidas.


Tomando o que é seu, Schwarzenegger incorpora o T-800 com nostalgia e demonstra que tem bastante porte físico e humor para aguentar as cenas de ação, por mais que recite várias vezes a fala "Velho, mas não obsoleto." e faça um sorrisinho hilário. O que, no entanto, está obsoleta e não tem força suficiente é a ação do filme. Se a maioria das perseguições nos filmes originais requeriam sacrifícios consideráveis, boa parte dos quase-mesmos conflitos são resolvidos de forma rápida, e o que é pior, sem impacto. Ainda que a conversão para 3D traga bons sustos e as camadas de faíscas, fumaças e tiros realcem brevemente a profundidade proposta, parece que a direção de Alan Taylor se subestima e/ou carece de agilidade ao criar cenas memoráveis.




Por outro lado, é interessante ver que Emilia Clarke consegue ser mais do que a enfeitada Daenerys de Game Of Thrones, sendo precisa no gatilho e até divertida, e Jai Courtney, finalmente consegue ter um pouco de carisma. Juntos, o casal forma uma boa parceria, assolados pelo "histórico" que a todo momento sugere uma paixão entre Connor e Reese, e isso não vem ao caso desta vez! O que decepciona é ver que atores relevantes como J.K. Simmons e Matt Smith estejam ali, respectivamente, para criar elos do passado e futuro do trio principal, servindo apenas como descartáveis artifícios narrativos.


O Exterminador do Futuro: Gênesis (Terminator Genisys), acima de tudo, quer se renovar sem medo de desconsiderar seu legado e inclusive acerta em sua reflexão sobre a humanidade nas circunstâncias atuais. Contudo, a experiência de se assistir a esse mesmo universo é cansativa desde seu primeiro ato, talvez pelo seu roteiro genérico e pouco profundo, ou quem sabe o panorama do presente seja mais incômodo. Aquele temor de se viver o amanhã, por bem ou por mal, parece bem menos nocivo agora.



P.S.: A não ser que a cena pós-créditos tenha alguma utilidade no futuro.

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