quinta-feira, 18 de junho de 2015

Violência | CRÍTICA (4º Olhar de Cinema)


A tênue linha entre o bem e o mal está facilmente presente no nosso cotidiano. Somos testados sempre quando lidamos com outras pessoas em ocasiões que nos exigem fazer o que é certo por etiqueta. Às vezes, impera dúvida e arriscamos escapar da regra. A transgressão dos bons valores gradativamente pode resultar em tipos de agressões. Seja no Brasil ou na Colômbia do diretor Jorge Forero, isto se chama Violência.

Violencia começa intrigante, em meio a uma atmosfera claustrofóbica em plena mata com um homem acorrentado sendo levado por soldados. Pouco conhecemos desse sujeito a não ser sua própria agonia em ficar tão indefeso perante homens com armas de fogo. Uma chance de escapar surge na hora de tomar seu banho (quase sagrado!) no rio, mas o homem sabe que não há ímpeto o suficiente para sair dali. Se faltou coragem para o preso na selva, para um garoto de Bogotá, em sua tenra idade, medo é a última coisa que ele vai sentir. Ele passa as noites em segredo na cama da namorada e tenta ajudar sua mãe, mesmo que tenha que contentar com um emprego de procedência duvidosa (e retorno incerto). Por último, um homem bem arrumado e até simpático revela ser um cruel e impiedoso comandante de um pelotão em formação das guerrilhas no país. Diante de nós, então, três crônicas sobre oprimidos e opressor.



Destas três, certamente a que mais me cativou foi a segunda, justamente por ser melhor estruturada. Enquanto a primeira parte pareceu se estender e permanecer em seu mistério, e a terceira com sua crueldade e tensão perturbadoras, encerrando-se num ciclo inesperado, é neste segundo ato que a síntese da premissa do filme se intensifica, o que às vezes passa despercebido no nosso dia-a-dia é, então, cutucado. 

Criando planos econômicos, diga-se de passagem, muitos bonitos com a paisagem urbana e uma luz natural bastante favorável, Forero se aproveita de movimentos práticos de câmera para acompanhar a jornada do rapaz que, a cada passo, vai construindo seu caráter, mesmo tendo algo em sua cabeça lhe dizendo para não fazer aquilo. Para remediar o erro, ele tenta fazer boas ações: paga a pendência da mãe no mercado e repreende a namorada por xingar uma professora. Contudo, tudo na vida é uma incógnita e, em qualquer circunstância, as consequências da violência são imprevisíveis.






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