quarta-feira, 6 de maio de 2015

O Franco-Atirador | CRÍTICA


A República do Congo é, infelizmente, uma das várias nações africanas que mais sofrem com guerrilhas. O motivo: suas diversas fontes de recursos naturais e minerais, tão cobiçados por empresas estrangeiras que desejam se apropriar de tais fontes a qualquer curso, tramando com governos, milícias e até mercenários, culminando sempre em massacres e na destruição de parques nacionais com suas espécies únicas. Ausentando-se de questões ecológicas e humanitárias, O Franco-Atirador (The Gunman) contempla-se em ser um mero filme de ação com o que há de mais convencional em títulos de espionagem e metralhadoras.

Há um par de cenas no filme dirigido por Pierre Morel que lembram e muito o inquietante documentário Virunga, mas, diferente da produção da Netflix, O Franco-Atirador segue majoritariamente os passos do mercenário Jim Terrier (Sean Penn) que, há quase uma década cometeu o assassinato de um ministro do Congo, abrindo as portas para seu contratante (estrangeiro) explorar os recursos na região, mas deixando um consequente rastro de guerrilhas no país. Com isso, Terrier deixa sua amada, a ativista Annie (Jasmine Trinca), aos cuidados do amigo Felix (Javier Bardem) e segue para o exílio. Anos depois, ao voltar para África como chefe de segurança para uma ONG, Terrier descobre que o atirador de antes, virou alvo. A partir daí, seus dias culminam em uma acirrada fuga internacional que o leva à Inglaterra, buscando informações por meio de velhos amigos e de lá partir para a Espanha, sempre com capangas em seu encalço.



Parecendo não ter vergonha em abraçar estereótipos do estilo, onde quem fala espanhol é apontado como bandido e o vilão principal, claro, está sempre a um passo a frente, o filme, que desperdiça maiores (e melhores) atuações de Bardem e Idris Elba (aparentando não ter motivo algum para estar ali), é apenas um verdadeiro espetáculo de cenas de ação ao melhor modo que Morel traçou em Busca Implacável, desde explosões engenhosas, tiros certeiros, mutilações fora de campo, troca de carros e muita pancadaria. 

Surpreende aqui, então, o fato de Sean Penn, um ator que de tempos pra cá se dedica a papéis mais bucólicos e existencialistas, aguentar toda a tensão e em boa forma que compete até com astros mais jovens, mas por outro lado, decepciona por pouco utilizar sua co-autoria no roteiro na denúncia do caos que ainda impera na África.





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