quinta-feira, 14 de maio de 2015

Divã a 2 | CRÍTICA


Qual o segredo de um bom casamento? Além da compreensão mútua, o respeito pela liberdade de cada um deve ser levada em conta antes que o caos domine o cotidiano da família. Preferindo (pra não dizer acidentalmente) focar em seus trabalhos, o casal Eduarda (Vanessa Giácomo) e Marcos (Rafael Infante) decidem se submeter a uma separada terapia de casal antes que o casamento vire uma completa tragédia. A solução tomada por eles? A separação.

O nome é sugestivo e a produção é a mesma de Divã, com Lília Cabral, mas este Divã a 2 narra uma história diferente, com foco nos protagonistas na faixa dos trinta anos, um filho para cuidar e carreiras promissoras. Eduarda, toda dedicada ao seu trabalho como ortopedista de um hospital, encontra na recém-separação um verdadeiro alívio diante das consecutivas irresponsabilidades de Marcos, um promotor de eventos acostumado a festanças e bebedeiras com os amigos (e amigas) de bar. Impulsionada pela desbocada amiga Isabel (Fernanda Paes Leme, a verdadeira graça do filme), Eduarda vai aos poucos se soltando e descobrindo outros homens, longe de encontrar um parceiro ideal que a faça esquecer dos sentimentos pelo ex-marido, até que decide dar uma chance a Léo (Marcelo Serrado), um cara apaixonado, mais calmo e compreensivo, possivelmente um forte candidato "pra casar". Tudo o que a moça estava desejando para seu atual momento, se a profissão dele não comprometesse esta nova relação.




Errando e errando, sem deixar de levar outras mulheres pra cama, Marcos tenta se redimir com Eduarda, mas se não fosse o roteiro maleável (que, pra variar, sempre dá um jeito de as situações terminarem em sexo), o perfil quase opressor, mulherengo e irresponsável de Marcos jamais teria uma segunda chance com a mulher, cada vez mais independente. Se há momentos engraçados, eles são conduzidos pela bonitona Fernanda Paes Leme e o habitual cômico George Sauma, mas nada que seja inesquecível, a não ser o incômodo constante com a edição insegura que insiste em trocar de planos em poucos segundos, sem ter um real motivo para isso, a não ser permanecer na antiga linguagem televisiva, cheia dos seus enquadramentos fechados.

Querendo valorizar as mulheres a um patamar merecido, mas submetendo as mesmas a tipos de homens que valorizam relações poucos afetuosas, mais regradas ao sexo, tanto a terapia de casal apresentada como a comédia romântica de Paulo Fontenelle se mostram ineficientes para reivindicar isso.






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