quarta-feira, 20 de maio de 2015

A Incrível História de Adaline | CRÍTICA


O conceito por trás de A Incrível História de Adaline (The Age Of Adaline) parece até uma história típica dos X-Men. Por sorte, o roteiro original de J. Mills Goodloe e Salvador Paskowitz não tem nada de super-poderes, mas chega a dialogar com a ficção científica, fazendo com que a peculiar habilidade de Adaline Bowman (Blake Lively) em não envelhecer, no entanto, acabe se rendendo mais a questões amorosas do que um autêntico registro do tempo.

Vivendo em 2015 com o mesmo físico lá de oitenta anos atrás, Adaline se prepara para (mais uma vez) abandonar San Francisco, com uma nova identidade e um novo local para morar, afinal, sua mocidade mais que estendida acabou lhe separando de sua filha, recebendo comentários inconvenientes de outras mulheres. Até o FBI, em meio a toda paranoia da Guerra Fria, decidiu investigá-la (algo que recebeu uma construção dispersa do roteiro). Coube a Adaline, portanto, aproveitar sua clandestinidade para conhecer o mundo, aprender novas línguas e desfrutar novas paixões.



Usando elementos cênicos tradicionais que facilmente remontam a passagens de tempo, como a projeção de rolos de filmes e até carros antigos, o diretor Lee Toland Krieger se aproveita destes recursos e cria boas transições de tempo, com passagens sucintas e bem marcadas graças ao competente trabalho da maquiagem remetendo aos estilos particulares de cada década. O que faltou mesmo foi um tempo mais impactante, voraz. Por mais que Adaline contenha um álbum com fotos de todos os cachorros (sempre da mesma raça) que teve ao longo de sua vida e Ellen Burstyn interprete sua filha idosa, mas jovial, que não liga pra quantidade de sal na comida, A Incrível História de Adaline carece do pesar de uma morte ou uma perda bastante significante para alguém com um século de idade. Durante a maior parte do tempo, a protagonista procura se esquivar do peso da idade alheia e pouco chegamos a conhecer essa dor, a não ser quando se trata de um romance abandonado, como é o caso com os personagens de Michiel Huisman e Harrison Ford, e aí poderia haver uma tensão maior, vide a problemática do conflito.



Embora Blake Lively se apresente com uma doçura e carisma de fácil encanto, o roteiro prefere seguir alternativas um tanto óbvias, dificilmente se arriscando em puxar uma atuação mais dramática da parte da atriz, que ainda cede espaço para uma narração didática. Novamente, poderia conter o peso e o choque da idade visto no semelhante O Curioso Caso de Benjamin Button, ou até mesmo em Interestelar, mas pelo menos Adaline Bowman pode afirmar que viveu muito bem.



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