quarta-feira, 11 de março de 2015

Para Sempre Alice | CRÍTICA


Existe uma beleza singular nos filmes que retratam pessoas com doenças terminais, por mais delicado que seja seu tema. Encontramos força nas personagens que tanto lutam para encontrar a felicidade em meio a um acirrado tempo de vida, conturbado pelas barreiras impostas pela enfermidade, sobretudo quando se trata do Mal de Alzheimer. Embora seja pouco caloroso e simplório do início ao fim, Para Sempre Alice (Still Alice) sobrevive do esforço de Julianne Moore.


Em um determinado momento do filme dirigido e escrito por Richard Glatzer e Wash Westmoreland, a partir do livro de Lisa Genova, a linguista vivida por Moore confessa ao marido (Alec Baldwin) que preferia estar com câncer ao invés de perder suas memórias para o Mal de Alzheimer. Meses antes, ao lecionar uma palestra na UCLA, Alice percebe que sua memória vai falhando com pequenos detalhes. O que poderia ser um esquecimento corriqueiro, vai se tornando comum no seu dia-a-dia. Palavras, compromissos, ingredientes de uma receita natalina e até o caminho de casa é ofuscado da sua memória, fazendo com que ela passe a se consultar com um neurologista e recear pelo pior: ser diagnosticada com um tipo de Alzheimer hereditário e incomum para a sua idade.

Acompanhamos então o cotidiano de Alice, apresentada como uma mulher de cinquenta anos bastante corajosa e independente, desafiando o iminente. Ela se esforça em fazer jogos de memória com as palavras, tentando se lembrar minutos depois, tem hábitos saudáveis e faz de tudo para não incomodar seu marido e filhos crescidos, até que todo esse esforço seja irreversível.



Mesmo que traga em seu núcleo o encantador gesto de uma mulher se apegando ao amor pela família, o filme é bem carente no quesito linguagem cinematográfica. Os planos são simplórios e por vezes muito fechados, extensamente focando nos rostos dos atores, ainda que haja planos de ambientação pra compensar, mas sem enquadramentos interessantes. A mixagem de som por vezes é abafada e muitos diálogos parecem mal captados em decorrência disso, sem esquecer da trilha sonora que, embora pontual, se excede em forçar tensão. É lamentável que a direção deixe de explorar recursos técnicos de fotografia e som para ilustrar os sintomas da doença, que ficam por conta da encenação da atriz.

Desperdiçando seu elenco de apoio, que acaba fornecendo representações pouco calorosas e automáticas, incluindo Kristen Stewart, cuja personagem se mostra como mais um reflexo da atriz, os diretores pelo menos acertam no desfecho, que acaba comprovando o mérito de Julianne Moore como Melhor Atriz no Oscar e nas demais premiações.






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