terça-feira, 13 de janeiro de 2015

O Abutre | CRÍTICA


Louis Bloom (Jake Gyllenhaal) é um jovem dos subúrbios de Los Angeles na luta por um emprego formal mas, em sua adversidade, vive por meio de furtos e atividades ilegais. Ele só não esperava que, ao presenciar um cinegrafista amador registrando um acidente numa ponte e, posteriormente, ver aquelas imagens no telejornal da manhã, uma chance de mudar de vida estava diante dos seus olhos.


Tendo em mãos uma filmadora (obtida, pra variar, de forma incorreta) e um aparelho de rádio-escuta, Lou começa a caçar potenciais crimes e acidentes que possam ir ao ar na televisão e assim lucrar com a desgraça alheia. A primeira filmagem cai no gosto da diretora da KWLA, Nina (Rene Russo), e o iminente sucesso dos vídeos entregues na sequência acabam apoderando Lou de praticar suborno com a diretora que, entre questões de códigos de ética, sabe que o talento do cinegrafista é garantia para sua permanência na emissora.


Assustadoramente magro, aqui Gyllenhaal consegue desenvolver um personagem marginal inicialmente misterioso (e até apiedável), mas a cada “fita” vendida, Lou se mostra cada vez mais cínico e incontrolável, com um olhar desconfortavelmente intimidador. Não há estagiário, nem concorrência que vão barrá-lo de se aprofundar no “estilo” de filmagem e seus consequentes lucros. Até mesmo seu maior concorrente (e brevemente um "mentor"), vivido por Bill Paxton, não escapa das ameaças de Bloom. 

Com um pé na estética apresentada em Drive, o diretor estreante Dan Gilroy (que também assina o roteiro, área onde possui mais experiência) apresenta uma Los Angeles quase desértica e marginal, aberta ao mundo das fatalidades, e ainda desenvolve um arco dramático interessante, um pouco prejudicado pela trilha de James Newton Howard, que evoca temas incoerentes ainda no primeiro ato.



Valendo-se de um terceiro ato de tirar o fôlego, com direito a um Mustang vermelhão em alta velocidade numa perseguição policial (de novo, no melhor estilo Drive), O Abutre (Nightcrawler) retrata da mesma forma que os carniceiros programas policiais de TV cobrem suas notícias. Afinal, como apontado durante uma passagem do filme, o espectador crê que está seguro diante da tela e quer estar informado para ter o que comentar com os outros.




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