quinta-feira, 29 de janeiro de 2015

Caminhos da Floresta | CRÍTICA


Quem nunca imaginou todos os consagrados personagens de contos de fadas reunidos em uma só história? Essa foi a ideia da dupla James Lapine e Stephen Sondheim ao criar, ainda na década de 1980, o musical Into the Woods, reunindo Chapeuzinho Vermelho, João Pé-de-Feijão, Cinderela, Rapunzel, entre outros, e tomando a liberdade de inserir novos personagens entre eles. O sucesso foi tanto, aparentemente, que uma adaptação para o cinema era mais do que bem-vinda e, com produção da Disney, um bom espetáculo era mais que garantido. Só não podia se esperar o mesmo da direção de Rob Marshall (de Chicago e do quarto Piratas do Caribe).

Caminhos da Floresta (Into The Woods), descontando toda a magia e diversão que circunda a história, é um conto sombrio e bastante versado aos dias atuais, e "ambição" é uma palavra comum em cada um dos personagens, que parecem não se contentar com apenas um final feliz. As crianças são espertas e até chantagistas, princesas almejam menos submissão e os príncipes são nada mais que aproveitadores.  


No centro disso tudo, estão o Sr. Padeiro e sua Esposa (James Corden e Emily Blunt, muito carismáticos), que desejam ter um filho e acabam recebendo a ajuda de uma vizinha, a Bruxa (Meryl Streep), que lhes recita quatro ingredientes para reverter o feitiço rogado no lar do casal, tendo que adentrar a floresta para buscar os preciosos itens - e aí encontrando as figuras já conhecidas dos contos dos irmãos Grimm.

Por mais que o musical receba vários incidentes dignos de risadas e uma canção sujeita aos prantos ('No One Is Alone'), a direção de Marshall se encaminha para uma experiência bem irregular, as câmeras têm movimentos tremidos demais, a marcação do elenco nos cenários não consegue se desvencilhar do estilo teatral, falta um respiro entre algumas músicas (que podem soar manjadas devido aos arranjos majestosos e vocais estridentes) e boa parte do elenco coadjuvante tem momentos bastante descartáveis, pra não dizer vergonhosas. Pelo menos não há o que reclamar da aparição mais do que pontual e sutil de Johnny Depp.





Chamativo mais pelo figurino versátil de Colleen Atwood e as brilhantes atuações de Streep, Blunt, Corden, sem esquecer de Anna Kendrick e o jovem Daniel Huttlestone (que já tinha chamado atenção no sofrível Os Miseráveis), Caminhos da Floresta fica perdido em sua própria trilha, subestimando-se num ainda mais obscuro terceiro ato e devendo mais melodias e canções memoráveis. 



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